O despertar do gigante adormecido

13:09:00
Depois de alguns anos de frustrações e até certo ponto ostracismo no futebol brasileiro, o ano de 2002 marcou a “virada” da história do Santos Futebol Clube.

Com um início de ano turbulento e de maus resultados, o então presidente Marcelo Teixeira, resolveu apostar todas as suas fichas (meio que obrigado a fazer, diga-se) nas categorias de base da equipe, após um período de reestruturação e mudança de filosofia do clube, e para esse recomeço convidou o técnico Emerson Leão recém-saído de uma fraca e turbulenta passagem pela seleção brasileira.

Leão começou a observar todos os jogos da equipe sub-20 do Santos e resolveu subir para os profissionais a safra que mudaria a cara da equipe: Paulo Almeida, Willian, Diego e Robinho que juntamente com os até então criticados Renato, Elano, Léo e Fábio Costa formariam a espinha dorsal daquela equipe que começaria a encantar o país a partir da fase decisiva do Campeonato Brasileiro de 2002. Para completar ainda contou com a competência e de certa maneira sorte do Leão que não tinha zagueiros na época e viu Alex fazendo um jogo treino então pelo Juventus da Mooca e mandou contratar o pirulão de mais de 1,90m que acabaria sendo peça fundamental na formação daquela equipe campeã.

                                               Fonte:http://imortaisdofutebol.com/

Com uma campanha mediana na fase de classificação, o Santos só conseguiu a vaga para o mata-mata na última rodada contando com grande pitada de sorte e também incompetência do Coritiba que foi até Brasília e perdeu para o já rebaixado Gama por 4 a 0. A partir daí o que se viu foi um show dos Meninos da Vila, começando pelos confrontos contra o badalado e estrelado time do São Paulo, líder da primeira fase com 10 vitórias consecutivas.

No primeiro jogo, na Vila Belmiro, os Meninos da Vila começaram a mostrar sua principal característica, a força ofensiva, e contou com a imensa habilidade da dupla Diego e Robinho para fazer 3 a 1 no tricolor e levar uma ótima vantagem para a volta, no Morumbi. Na segunda partida com direito a show de Diego e polêmica na comemoração do gol no escudo são-paulino, nova vitória, desta vez por 2 a 1 e classificação mais do que garantida. Restavam 4 jogos para o sonho tornar-se realidade.

Na etapa seguinte, o adversário foi o Grêmio, que tinha uma equipe que caracteriza-se mais pela raça e vontade, do que pela técnica e habilidade. No primeiro jogo, na Vila, novo show santista e do menino Robinho: 3 a 0. Na volta, apenas administrou o jogo e derrota por 1 a 0. Restavam poucos dias para o esperado 15/12/2002.

O adversário da final seria o time mais badalado e vitorioso do país naquele ano, o Corinthians buscava a tríplice coroa após os títulos do Campeonato Paulista e do Torneio Rio-SP. Os 2 jogos finais do Campeonato Brasileiro de 2002 ocorreriam no Morumbi, com torcida dividida, algo inimaginável nos dias de hoje.

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Na primeira partida, o Peixe derrotou o Corinthians por 2 a 0, com gols de Alberto e Renato. A vantagem era ótima. Contudo, já no segundo tempo do confronto, Diego cai no gramado com a mão na coxa, um susto para a nação que mais tarde se transformaria no pior, o camisa 10 estava fora do decisivo confronto.

Finalmente chega 15/12/2002. Pouco antes do apito inicial vem a notícia que Diego estava confirmado como titular da decisão, contudo isso não passou de uma jogada de mestre de Emerson Leão que coloca o menino em campo totalmente sem condições de atuar para confundir Parreira, tanto que logo no primeiro minuto de jogo, o camisa 10 pede substituição e entra o veterano e também craque, Robert.

Sem Diego, quem chama a responsabilidade é o neguinho das canelas finas e que muitos diziam que não viraria jogador. Robinho simplesmente, A-C-A-B-O-U com o jogo, começou logo no início da partida com as eternas e inesquecíveis oito pedaladas para cima de Rogério, que resultou em pênalti para o Santos. O craque bateu e fez 1 a 0. O Corinthians não se abalou e virou o jogo na segunda etapa, para desespero do torcedor santista, que nas arquibancadas começava a chorar e prevendo o pior. Será que mais uma vez morreríamos na praia por questão de minutos como fora um ano antes na semi-final do paulista contra o mesmo Corinthians?

Robinho não deixaria isso acontecer, e mais uma vez chamou a responsa para si, iniciou a jogada pela direita do ataque do peixe, passou pelo zagueiro entrou na área e cruzou para Elano completar para o fundo das redes. Era o gol do título. Mas, para completar a festa, novamente Robinho parte em velocidade pela esquerda, chama Vampeta pra dançar, passa pelo volante, por mais um e a bola sobra para Léo da entrada da área, de perna direita (quem diria) fuzilar Doni e encerrar a seca: Santos 3 × 2 Corinthians. O lado santista do Morumbi explode em alegria: o Santos enfim era campeão do Campeonato Brasileiro. O gigante havia renascido e 15/12/2002 entrava para a história do futebol e principalmente, para a história de todos os santistas do planeta. 

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