A polêmica padronização do gramado no Brasileirão

16:45:00


Para o torcedor mais desavisado, foi anunciado nessa segunda semana de janeiro que a partir da edição de 2016, os gramados dos estádios dos Campeonato Brasileiro Série A e B vão passar a ter uma medida única. As dimensões serão padrão FIFA. Todos os campos terão 105 metros de comprimento por 68 metros de largura. Essa medida é usada na Copa do Mundo e na maioria dos grandes estádios europeus. 

Vale lembrar que a regra oficial do futebol permite que as dimensões variem de 90m a 120m de comprimento e de 45m a 90m de largura. Essa padronização é uma tendência mundial e serve para igualar as condições de jogo das equipes. A grande maioria dos estádios no Brasil estão fora dessa padronização. Alguns como o Serra Dourada possuem uma área maior do que a da nova implementação e outros como o Dilzon Melo em Varginha é menor.

A própria CBF liberou mais de 2 milhões de reais para custear as reformas dos gramados no Brasil. Porém, essa medida vem causando uma grande controvérsia. Existem os que são a favor e os que são contra. Quem é favor alega uma condição igual entre os times. Quem é contra afirma que isso prejudica o futebol, e o pasteuriza. Afirma que é interessante ver um time sofrer em um gramado menor ou maior que o seu e que a falta do espaço prejudica a criatividade. 



Opinião:
Para esse que vos escreve, a padronização das dimensões do gramado é bem-vinda. O argumento de que essa mudança prejudica o futebol brasileiro não me parece válida. A criatividade aparece até em espaços mínimos. Zidane, Messi, Cristiano Ronaldo, Romário, Ronaldinho e muitos outros que o digam. O saudosismo exacerbado prejudica o futebol. É óbvio que precisamos respeitar o passado. Não só o do futebol como o nosso. Sem o antes, o agora nunca existiria. Mas, para um bom futuro deve-se também mudar alguns aspectos do presente.

É natural do ser humano temer as mudanças. Se até agora dá certo para quer mudar? Muitos pensam assim e se esquecem que o futebol só é o que é hoje porque mudou ao longo tempo. O futebol de agora não é o dos anos 90 que por sua vez não é igual ao dos anos 80 e assim por diante. O futebol sempre mudou. No início as traves não possuíam redes, as bolas eram de couro e ficavam encharcadas na chuva. Jogo a noite? Esqueça. Negro? O preconceito não deixa. E assim por diante. 

Creio que sempre precisamos evoluir. Igualar as dimensões do gramado é uma maneira de se fazer isso. Ao igualar a medida é dada uma condição justa para as duas equipes. Não defendo uma pasteurização do futebol com arenas, uniformes monocromáticos, jogadores e torcidas robóticas,etc. Tradições são muito bonitas e pessoalmente gosto muito. Entretanto, para tudo precisa-se de bom senso. E não vejo no caso das medidas uma pasteurização. Vejo um avanço.

Não vejo como justo um time ter que enfrentar um outro em um gramado maior ou menor que o seu. É uma condição desigual como tantas outras que existem no esporte. Veja bem, não entrei nos méritos do tipo de grama, vestiários diferentes para visitante e mandante entre outras coisas que muito time que joga fora de casa leva desvantagem. A padronização é uma pequena parte da ponta do iceberg de complicações do futebol.

Também não estou entrando em méritos de cotas de televisão, torcida, condições financeiras, gestões, arbitragem, sócios, etc. Não que esses assuntos não sejam relevantes, aliás, são até mais importantes que as dimensões. Porém, considero isso um belo passo para frente. Um passo no qual pode-se começar uma jornada melhor para o futebol nacional que ainda possui diversas questões para serem resolvidas.

Compartilhe isto

Posts Relacionados