Guerreiros Imortais: Falta para cobrar, chama o “Manoel”

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Alô, meus caros leitores, um forte abraço pra vocês. Quero aqui adiantar que hoje “iremos começar nossa viagem” lá na cidade maravilhosa. Isso mesmo, no Rio de Janeiro, no ano de 1950, mais precisamente no dia 26 de julho. Dez dias após a perda do título mundial,  sendo ainda este o assunto principal em quase todo o país tupiniquim, com a exceção de alguns lares, porque nesta data, nascia Manoel Rezende de Mattos Cabral. Que é, e sempre será um dos maiores cobradores de faltas do Brasil e quiçá do mundo. Bom, pra vocês que já associaram o nome, a data e o feito, parabéns, sinal que vocês já conhecem a história brilhante deste exímio cobrador de faltas. Agora a vocês que ainda não sabem de quem se trata, vos apresento o eterno Nelinho. Ele que fez parte de uma das maiores formações do Cruzeiro em todos os tempos, nos anos 70, quando o time azul celeste contava com Raul, Dirceu Lopes, Palhinha, Eduardo, Joãozinho, Roberto Batata, Jairzinho e companhia.

O eterno lateral-direito de Cruzeiro, Seleção Brasileira, entre tantos outros clubes, começou sua trajetória como profissional defendendo o azul e vermelho do Bonsucesso Futebol Clube. Só que o curioso é que em mais uma das inúmeras peças que o futebol prega, ele começou “a chutar a bola”, no arquirrival Olaria (Bonsucesso e Olaria formam um dos Clássicos mais famosos do Rio, o clássico Leopoldinense). Contudo o América-RJ, não demorou muito para perceber o talento que o jovem possuía e o contratou. E ao se destacar nos times de sua terra natal, ele teve uma breve passagem fora do Brasil, começando no país do “jardim plantado à beira-mar”, onde jogou pelo Barreirense (POR), depois ainda foi parar na Venezuela, para jogar pelo Deportivo Anzoategui. No entanto, por lá ele não ficou muito, e logo retornou para o Brasil, para jogar no Remo do Belém do Pará, onde também teve passagem curta.



Essa passagem se deve a uma história no mínimo curiosa, devido ao fato que no ano de 1973, o Cruzeiro foi atrás de outro lateral-direito do Remo, que era ele, Aranha, um dos destaques do time de Belém na ocasião. Entretanto, o rival do clube celeste, Atlético-MG, levou a melhor e conseguiu a aquisição do atleta, forçando os cartolas azuis a apostarem no reserva da posição, para assim não retornarem a Belo Horizonte com as mãos vazias. O que ninguém esperava é que, aquele que era pra ser o prêmio de consolação, viria a se tornar um dos maiores ídolos do time estrelado.

Em sua primeira passagem pela toca da raposa, ele permaneceu até 1980, e seus principais títulos no clube foram os campeonatos mineiros de 1972/73/74 e 77 e a Libertadores da América de 1976, título esse que é o mais importante de sua carreira. Depois de sete anos vestindo a camisa celeste, com mais de 410 partidas disputadas, foi para Porto Alegre para defender o Grêmio, onde foi campeão gaúcho de 1980. E pouco tempo depois ele retornou para Belo-Horizonte, para defender novamente o Cruzeiro até o ano 1982. Posteriormente o clube estrelado o negociou com seu maior rival Atlético Mineiro, onde ele disputou mais de 270 partidas, encerrando sua carreira em 1988. Seus títulos com a camisa atleticana foram os estaduais de 1982, 1983,1985 e 1986.

Pela Seleção Brasileira ele jogou 28 jogos, somando 16 vitórias, 10 empates, 2 derrotas, tendo feito 8 gols. Nelinho também contabiliza em sua história duas Copas do Mundo, sendo ele inclusive protagonista de um dos gols mais bonitos de todas as Copas. E este gol foi realizado em um jogo válido pela decisão do terceiro lugar, onde o Brasil jogava contra a Itália na Copa da Argentina de 1978: aos 19 minutos do segundo tempo, após ele tentar um cruzamento pela direita, a bola acabou fazendo uma curva inesperada, e indo parar no canto oposto do goleiro Dino Zoff.


Para finalizar, quero aqui relatar duas curiosidade sobre o carioca que teve seu destino ligado ao universo dos campeonatos mundiais de futebol. Nelinho sempre teve um chute potente e com efeito, sendo isso o que o credenciou a se tornar o melhor lateral-direito do mundo na sua época, e um dos melhores cobradores de falta da história do futebol do país. E também graças a seu chute forte, ele foi convidado por um programa de televisão em 1979, a testar a potência de seu chute, e o desafio era o seguinte: ele teria que chutar a bola para fora do Mineirão. Ele não hesitou em aceitar o desafio e adivinhem só qual foi o resultado??? Bom, vocês que imaginaram que ele conseguiu, acertaram!!! Sim, o chute dele foi potente o suficiente pra mandar a bola pra fora do estádio. A outra curiosidade é que em 1976, Joãozinho “roubou” o gol de Nelinho, uma vez que o cobrador oficial era o ex-lateral-direito. No entanto o ex-atacante, “entrou na frente” e chutou a bola, marcando assim o gol que deu vitória e o título da Libertadores ao Cruzeiro (o jogo ficou 3x2 para o Cruzeiro diante do River Plate, da Argentina). Bom pessoal, nossa “viagem” fica por aqui, até a próxima!


por Dérlei César
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*Créditos de conteúdo:
Terceiro Tempo/ tardesdepacaembu.wordpress.com/ Wikipédia


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