Guerreiros Imortais: O Maior Campeão do Maior de Minas

09:11:00



Salve Nação Azul

PREZADO LEITOR, NÃO DESÇA A PÁGINA!

Não veja a foto ou o nome do jogador em questão sem antes tentar me responder a algumas questões.

- Qual é o jogador da história do Cruzeiro que mais títulos conquistou com essa camisa?
- Quem foi o craque que ganhou pelo menos um título por ano durante nove temporadas seguidas?
- Que defendeu em campo as cores azul e branco por mais de 400 jogos?

Depois das três pistas, as opções:

Wilson Piazza?
Raul?
Dirceu Lopes?
Tostão?

Nelinho, Raul, Natal, Zé Carlos...

Pode esquecer!

Agora sim, pode rolar a barra.

O cara em questão é o mineiro Ricardo Alexandre dos Santos.

Ricardinho, o Mosquitinho Azul.
Pequeno na estatura, um gigante em campo.
Simplesmente o maior campeão da história do Maior de Minas!



Olhem a galeria do rapaz:

Libertadores (97)
Recopa Sul-americana (98)
Copa do Brasil (96 e 2000)

Isso citando só os títulos de grandeza maior.
Porque o Mosquitinho Azul ganhou 15 canecos entre 1994 e 2002.
Foram nove anos seguidos saindo nos pôsteres Brasil afora.

Só para constar: a galeria de Ricardinho tem muito mais valor do que de muito time espalhado por aí...

E isso já bastaria para colocá-lo no pavilhão dos maiores da nossa quase centenária história.
Eu poderia parar meu relato por aqui.
Mas e se ele fosse um jogador comum?
Teríamos por ele esse carinho imenso?

Fato é que poucos doavam-se em campo como ele se doava.
De uma raça improvável, apesar do físico franzino não houve bola dividida em que Ricardinho não se apresentasse para tentar ganhar.

Com o passar dos anos, além de ser um leão no meio-campo celeste o craque desenvolveu uma característica que o fez subir ainda mais no conceito do povo: o potente chute de média e longa distância.

Foram muitos gols (46) pelo Cruzeiro para um volante apoiador.
Num massacre de 7 a 0 contra o América, por exemplo, ele deixou dois com categoria.

Jogos memoráveis também há aos montes.

Formando uma dupla de imenso respeito com o volante Fabinho, comandou o time celeste à Copa do Brasil em 1996, com vitórias espetaculares sobre o Vasco (6x2), Corinthians (4x0), sem falar naquela histórica final contra o Super-Palmeiras de Luxemburgo, onde o Cruzeiro calou o Parque Antártica.

Na Libertadores de 97 Ricardinho também foi primordial. Defendeu como nunca na ‘Batalha de Santiago’, a semifinal contra o Colo-Colo que foi decidida nos pênaltis, onde ele converteu o dele. E na notável final que coroou um dos Cruzeiros mais raçudos de todos os tempos. Se o time tinha dois craques acima da média (Dida e Palhinha), a cara da equipe era a raça de Ricardinho e seus asseclas.



O Mosquitinho também estava em campo na decisão da Copa do Brasil de 2000. Naquele teste para cardíacos, Ricardinho foi um dos que orientou (junto a Muller) o jovem Geovanni a soltar a bomba e sair pro abraço no gol do título aos 45 do segundo tempo.



Ricardinho deixou o Cruzeiro em 2002, aceitando proposta do futebol do Japão. Voltou em 2007, mas uma série de lesões o impediram de jogar o futebol de pura energia que conquistara o Brasil. Ele se aposentou em 2008, apenas aos 32 anos. O corpo não ajudava mais e por ser extremamente competitivo e comprometido, se cobrava por não conseguir mais ajudar aos seus companheiros.

Um fato deixa bem claro a entrega dele em campo e a pouquíssima disposição à derrota. Na despedida do craque Alex, em Junho passado, Ricardinho caiu no time dos mais veteranos,  fisicamente muito inferior. O jogo era festivo mas o que mais se comentava nas cadeiras do Mineirão era o apetite do camisa 8 do time de branco, que por algumas vezes derrubou os ‘adversários’ para que não chegassem à sua meta.

Era Ricardinho!
Talvez em seu coração havia o desejo de levantar mais esse caneco.
De ganhar mais esse jogo no Mineirão.
Afinal, seu nome é vitória.
Sobrenome, raça!


por Rogério Lúcio

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