Palmeiras e a Olimpíada: céu ou inferno?

11:52:00
Próximo de perder Gabriel Jesus e Fernando Prass para a Seleção Olímpica, o Palmeiras visita o Internacional neste domingo (17), no Beira-Rio, coma necessidade de somar mais três pontos para não ceder a primeira colocação do Campeonato Brasileiro ao seu arquirrival, o Corinthians. Sem suas maiores referências, uma no gol e outra no ataque, o Verdão terá um duro desafio pela frente na tentativa de se manter no topo. Entretanto, o cenário deve ser bem analisado, pois nem tudo será de tão ruim à equipe paulista.

É verdade que ambos atletas são insubstituíveis no elenco comandado por Cuca: primeiro, o garoto Jesus, de apenas 19 anos, que de um ano para cá explodiu. O jovem atacante dobrou sua média de gols em relação a 2015, restando ainda pouco menos de cinco meses para o término da atual temporada. Apesar dos bons números, Gabriel não pode ser citado apenas como o ‘homem-gol’ de seu time, pois sua importância dentro de campo é superior a isso.

Além das bolas nas redes, o que lhe rendeu o título temporário de artilheiro do Brasileirão, o camisa 33 também exerce uma função tática crucial, sendo o homem de referência no trio ofensivo construído por Alexi Stival junto a Dudu e Róger Guedes. Sua velocidade, poder de definição, visão de jogo e uma incrível habilidade – principalmente nos dribles – lhe torna o jogador de linha mais importante neste atual esquadrão do Palmeiras.

Depois, vem Fernando Prass, indiscutivelmente um dos melhores goleiros em atividade no futebol brasileiro. A baixa do arqueiro para o Verdão será sentida não apenas pela qualidade do jogador embaixo das traves, mas principalmente pela liderança e segurança transmitida por ele aos demais atletas, seja dentro de campo, nos vestiários ou no dia a dia.  

Seguindo a análise dos contras, uma boa aparição na Libertadores, que é um dos principais torneios internacionais do mundo, e grandes atuações no campeonato nacional, abriram inúmeras portas a Gabriel Jesus na Europa. E com uma boa participação na Olimpíada, o adeus do atacante palmeirense poderá acontecer antes mesmo do término de 2016, mas, com valores possivelmente superiores aos 25 milhões de euros estipulados pelo Palmeiras para alguns gigantes como Barcelona, Real Madrid, Manchester United e outros.
Gabriel Jesus é o principal artilheiro da equipe paulista no ano (Cesar Greco / Agência Palmeiras)
Apesar da baixa definitiva que isso traria no elenco, algo extremamente negativo, o Verdão, que detém 30% dos direitos de Gabriel, conseguiria lucrar um pouco mais em cima do negócio. Isso na verdade dá início aos aspectos positivos que os Jogos Olímpicos podem trazer ao time alviverde em um futuro próximo. Por quê? A resposta é simples: maior visibilidade.

O Palmeiras não consegue revelar grandes craques para o exterior, e pior, para a Seleção Brasileira, há um bom tempo, e as convocações de Fernando Prass e Gabriel Jesus podem sinalizar o fim disso. É verdade que o goleiro dificilmente conseguirá manter-se no auge até a Copa do Mundo de 2018, na qual terá 40 anos, mas, caso seja seguro com a Amarelinha neste teste, como é em seu clube, poderá receber oportunidade de Tite nas Eliminatórias.

Já o menino Gabriel, por se tratar de uma grande promessa, também tem presença na equipe nacional - para o futuro - quase que garantida. E claro, quem sabe daqui alguns anos, independente do clube em que estiver atuando, podemos olhar para o atacante e dizer: “Esse cara jogou no Palmeiras”. Isso abre portas. Se atentem a quantos talentos o Santos revelou depois da geração Neymar, ou o quanto que o Corinthians ganhou, fora de campo, com as convocações de Elias e Renato Augusto, por exemplo.

Apenas para comprovar tal hipótese, bastou Gabriel Jesus ser observado por toda Europa para que equipes da Itália e da China também demonstrassem interesse em Róger Guedes e Dudu, algo que foi informado pela mídia nas últimas semanas. Além dos atacantes, o recém-chegado Yerry Mina foi especulado no Barcelona há pouco tempo.
Dudu foi especulado no futebol chinês no começo do mês de Julho (Cesar Greco / Agência Palmeiras)
Ao mencionar o zagueiro colombiano, é um pouco triste dizer que sua lesão foi algo bom, não por sua ausência no grupo palmeirense, mas sim por sua permanência no Brasil, pois o defensor estava entre os listados para defender a Colômbia nos Jogos Olímpicos. Apesar de ter seu retorno previsto entre seis e oito semanas, recentemente o tio do atleta, que sempre acompanha Mina, disse que seu sobrinho pode se recuperar antes do tempo previsto e voltar em apenas 20 dias. Com isso, estaria no elenco com a Olimpíada ainda em disputa.

Falando em elenco, finalmente chegou a hora de comprovar se o Palmeiras tem ou não o melhor grupo do país. Não é em um clássico, com três ou quatro desfalques, que isso irá se comprovar. Mas sim agora, em um período no qual o time poderá se ver sem suas duas maiores estrelas por até seis duelos. O goleiro Vagner, contratado do Avaí, já foi nomeado o substituto de Prass e finalmente fará sua estreia. Essa é a chance de ouro que o jogador terá para mostrar serviço, e caso vá mal, Jailson também será testado.

No setor ofensivo, nada de novo, Lucas Barrios e Leandro Pereira são os substitutos naturais de Gabriel Jesus como centroavantes. O paraguaio não vive seu melhor momento na equipe, vindo de lesão e uma recente polêmica sobre deixar o clube. Pereira, por sua vez, retornou ao esquadrão após uma campanha decepcionante na Bélgica, na esperança de reviver sua carreira.

Nos dois cenários, tanto embaixo das traves, como em marcar gols, o Palmeiras só tem a ganhar, pois estabelecido que Gabriel Jesus e Fernando Prass são certezas absolutas, o Verdão teoricamente atingiu o fundo do poço, e agora, só lhe resta subir. O que vier é lucro, pois atuações negativas já são esperadas. Mas, se Barrios e Pereira retomarão a forma de artilheiros, ou se Vagner repetirá as boas atuações que teve na equipe catarinense, só o tempo dirá...

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