50 mil por 1

19:20:00

Foto: Rodrigo Rodrigues/Flicker Grêmio Oficial
Nessa manhã de domingo, os gremistas lotaram a Arena com suas expectativas. O sonho dos três pontos ocupou todos os lugares, muito mais do que os mais de 50.000 dos ingressos vendidos. Dia dos pais é terreno fértil para o torcedor família, torcedor moderno que vai ao jogo por motivos mais diversos do que o futebol em si. Espero que tenham sentido falta do almoço familiar nessa data, 11 horas é o horário da cretinice da CBF.
Depois de tantos empates e decepções, levamos todas as forças de nossas gargantas para as canções de glória e todos os ventos dos pampas para flamular nossas bandeiras. Com o gosto amargo na garganta, fizemos cara de carranca para espantar o mau agouro e lançamos ao campo um olhar aterrador, respondido pelos jogadores: estavam com sangue nos olhos.
Por mais que tentem nos afastar, o bom filho ao concreto torna. Houve quem olhasse para a Geral hoje e pudesse se enganar, acreditar que estava no Olímpico. Só evocando esse tipo de força mística daquele passado tão feliz para relembrar como está vivo o desejo de ser campeão. E então, juntos fomos. Os pais, os filhos, as mulheres, os jogadores, a glória, a esperança e as expectativas. Eram 12 em campo, estávamos unidos.
Dessa aliança veio a belíssima atuação e o 3x0 que brilhou no sol de meio dia. Três gols para curar as dores e pedir desculpas. Pedro Rocha, Everton e Bolaños perdoados, redimidos e engrandecidos. Geromel, mais que mito, monstro, herói, ídolo, agora rebatizado em versão olímpica: Gerophelps, com seu brilhantismo costumeiro. Teve espaço de perdão para Marcelo Grohe e até Ramiro pôde desfrutar de um pouco de carinho.
Na partida de hoje, vimos o melhor do Grêmio e tudo que ele pode ser. Lembro de enfrentarmos o mesmo adversário no primeiro turno e naquele jogo o time buscava apenas um empate. Nessa manhã, percebi que essa palavra não existia mais no dicionário, nem na peleja. Jogamos juntos, 50 mil por 1. Por este time, por este clube, por este título. Continuamos juntos até o final, até a vitória, seja na arquibancada ou no concreto. Cara de carranca, sangue nos olhos e força nos braços, ainda vamos erguer essa taça.

por Clarice Sena

Equipe Grêmio: Twitter

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