Sobre franchise quarterbacks, franquias e a sorte

08:57:00

Numa NFL cada vez mais dinâmica e focada no jogo aéreo, a importância de consistência na posição de quarterback é, sem dúvida, a mais visada – e cobrada. Um QB de escolha alta no draft, assim que integra o time, passa a ser símbolo da esperança de um futuro promissor e, invariavelmente, é também considerado o maior responsável pelo desempenho do time, especialmente no aspecto de vitórias e derrotas, mesmo que tal avaliação não seja tão justa. No draft, times que ainda não possuem um, procuram arduamente pelo franchise quarterback, e os que já possuem um, procuram cercá-lo de talentos.

Um franchise quarterback, a figura mais valiosa em um draft, é aquele jogador que acaba se tornando a cara da franquia. É tal jogador que cumpre seu objetivo como signal caller, que desempenha sua função de tal forma que a franquia queira renovar seu contrato e continuar o trabalho de aprimoramento e evolução. É o jogador símbolo do ataque – e até do elenco – de uma franquia. Tom Brady e Ben Roethlisberger são nomes notáveis de players desse calibre. Entretanto, vale ressaltar que tal classificação não significa, necessariamente, grandeza: Ryan Tannehill e Jay Cutler também são considerados franchise quarterbacks, apesar de resultados fracos em Miami e Chicago.

 (Imagem: www.dailyfantasysports101.com)

Com a alta competitividade da liga e o inevitável envelhecimento dos atletas, as franquias sempre estão procurando por franchise quarterbacks, e algumas ficam longos períodos de tempo sem encontrar um, sendo o Cleveland Browns um lamentável exemplo desta situação. Outras, porém, encontram os seus em situações atípicas, como é o caso dos Patriots, draftando Brady na improvável posição 199 do draft do ano de 2000; e de Tony Romo, contratado pelos Cowboys quando ainda free agent, após não ser escolhido no draft de 2003 - ambos se tornando sólidos jogadores.

Há, ainda, um evento mais complicado e raro de acontecer no universo do futebol americano, do que a escolha de um franchise quarterback: o fato de algumas pouquíssimas franquias terem o privilégio de, após a saída ou aposentadoria de seu signal caller de confiança, dispor de outro atleta de mesmo nível, logo após, para continuar o legado deixado por seu antecessor na posição mais importante do football.

Todos sabemos que a vida está longe de ser justa, e tal afirmação não atua diferentemente no mundo do esporte. Enquanto algumas franquias tentam, sem sucesso, ano após ano, alcançar este tipo de jogador, outras têm a sorte de possuir, no banco de reservas ou no próximo draft, a resposta perfeita para o notável vazio deixado pelo jogador símbolo da franquia, quando este se vai. Como exemplo icônico, temos os 49ers dos anos 90, que tiveram, depois do inesquecível Joe Montana, o surpreendente Steve Young no comando do time.

 (Montana e Steve Young. Imagem: siphotos.tumbler.com)



Mais atualmente, Packers e Colts se enquadram em tal rara e desejada condição. Após inúmeras temporadas em Green Bay, Brett Favre, responsável por várias emoções - dois títulos de MVP e um anel de campeão, entre outras – resolve se aposentar, e acaba saindo de Green Bay. O líder de um time por tanto tempo, e até o símbolo de uma era campeã, não mais fazia parte do elenco. Por mais que seja inevitável, pelo tempo ou por outros fatores, uma baixa dessas é sempre muito sentida. Uma nação toda de torcedores é deixada órfã.
Ou não.
Eis que o backup quarterback de Favre era ninguém menos do que Aaron Rodgers, cotado como, se não o melhor, como um dos melhores QBs da atualidade. Em poucas temporadas, Green Bay alcançara novamente o Super Bowl, sagrando-se campeão pela quarta vez, e com um novo e promissor líder.
 (Imagem: www.packertime.com)

Em Indianapolis, o desfecho também foi favorável. Após várias temporadas inesquecíveis com os Colts, Peyton Manning deixa de fazer parte do elenco. Peyton, um dos maiores jogadores da história, portador de invejável intelecto esportivo e talento, um dos responsáveis pela mudança do estilo de se jogar de quarterback, deixa de vestir o uniforme alviceleste e a característica ferradura, símbolo da equipe. Entretanto, para a felicidade dos fãs de Indianapolis, seu sucessor é Andrew Luck, um dos mais promissores quarterbacks da atualidade e detentor de excelentes performances na liga. Apesar dos fracos números na última temporada, sua qualidade e talento são inegáveis, estando o futuro da franquia em excelentes mãos, apesar do desfalque de Manning.
Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar, correto?
Errado. Um raio destes, extremamente caçado pelos olheiros das equipes, capaz de recarregar as energias de uma franquia e alçá-la a outro nível, às vezes, favorece alguns poucos privilegiados, mantendo acesa uma chama que já arde há certo tempo, tendo potencial até para aumentar a emissão de calor. É raro, mas acontece, e Aaron Rodgers e Andrew Luck certamente sabem o significado de se estar on fire.


Texto por: Lucas W. Piai
Equipe NFL: Twitter | Facebook 

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Curioso convicto e eterno aprendiz, pretende conhecer sobre tudo um pouco - exceto signos.

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