Pós Jogo - Atlético MG x América MG: O acaso virou realidade

12:30:00


Saudações, CAMbada de loucos, irmãos de sangue alvinegro. Vão bem?


Clássico ou não? Importante ou não? É rival ou não é rival? Toda vez que se discute sobre aquele que outrora já foi o maior clássico do futebol mineiro, há divergências. Mas o fato é de que, se de um lado, o Galo se tornou umas das maiores escolas e referência do futebol brasileiro. com títulos de peso como Libertadores e Recopa, o Coelho se perdeu e se apequenou em más administrações, que sempre o mantiveram a um patamar muito abaixo do que podia alcançar, mesmo por muitas vezes sendo "apadrinhado" pelo próprio Galo. Eu tenho um respeito pelo América, que outrora abriu as portas para que eu tentasse meu sonho, que infelizmente não prosseguiu, de ser jogador de futebol, além dos familiares, pai e tio, a qual sou grato e devo absoluto respeito e devoção, americanos. Mas a verdade é que, Atlético x América, que um dia foi chamado de "clássico das multidões", hoje é apenas um confronto comum.

Estavam em campo duas filosofias, projetos, planejamentos e aspirações diferentes. De um lado, um postulante ao título que precisava dar uma resposta definitiva á sua torcida, precisava retomar a confiança e buscar os louros da glória ao final da temporada. Do outro, um clube que entregou os pontos, que já desenganado, aceitava sua queda e buscava pelo menos um lastro de dignidade. A partida ainda teve uma pitada de acidez por conta do extra campo, polêmico, sobre a venda de mando do América para o Palmeiras no último fim de semana. Essa situação acabo gerando atritos (mais) entre os clubes. Sobre a declaração do bicheiro conversado, Alencar da Silveira, não entrarei no mérito, pois a resposta é devidamente dada pelo histórico e pelo tempo.

Vamos ao jogo,

Uma partida que pode ser traduzida em duas palavras: TRANQUILIDADE e EFICIÊNCIA. Desde o começo, o Galo mantinha certa tranquilidade no controle da posse e no trabalho de meio campo. Parecia certo da facilidade do confronto e da condição psicológica do rival. O jogo começou em ritmo lento, porém, cadenciado. Uma pressão inicial forte, porém, controlado do Galo, se movimentando bem, fazendo triangulações, se organizando bem principalmente no meio campo, com boa movimentação da linha de meias e dos pontas. Otero estava especialmente bem na partida, flutuando pelo setor ofensivo, insinuante, ditando o ritmo e auxiliando Robinho, que desta vez, ficou incumbido de articular as ações do Galo pelo meio, principalmente em puxadas de contragolpe. O América até demonstrou certa compactação, buscando em sua linha de meio campo, anular as ações do Galo e forçar o time atleticano ao erro, se aproveitando dos espaços deixados principalmente na recomposição da linha defensiva, que apesar de mais bem orientada, ainda tinha dificuldades em acompanhar as subidas em velocidade do adversário. O jogo, apesar de capitaneado pelo Galo, tinha alguns bons momentos do Coelho. O Galo tinha volume, posse e boa movimentação, porém, faltava a volúpia, a vontade. O time parecia levar a partida a banho maria. Era um risco calculado, pois não se pode pensar que o rival aceitaria facilmente que você dite o ritmo do jogo. Porém, parece que contra o América, o obvio seria a pauta do dia. E foi. Aos 30 minutos do 1º tempo, uma bela jogada individual de infiltração de Otero pela direita, levando a marcação americana e encontrando espaço para um cruzamento no 2º pau, achando Fred, que se fosse um centroavante comum, certamente passaria do ponto, mas como estamos falando de alguém FORA DE SÉRIE, ajeitou o corpo e fez uma linda batida, surpreendendo o "goleiro de um jogo só" João Ricardo, abrindo o placar: 1x0 Galo.

A partir do gol, o Galo passou a ser dono das ações. Esse gol foi suficiente para fazer desmoronar a estratégia americana e jogar o psicológico da equipe lá embaixo. O Galo criou algumas chances, mas estava nítido que o time se poupava. A sensação que tive vendo o jogo é de que o placar seria consumado e de que o time pensava no duelo contra o Botafogo, que traria outro nível de comprometimento e dificuldade. Voltando a partida, o primeiro tempo seguiu controlado pelo Galo, criando chances, trabalhando a posse, com boa transição e chegadas rápidas com Otero pelos lados.

Na 2ª etapa, o panorama seguiu o mesmo, pragmático, mas uma coisa acabou surpreendendo a todos: O 2º tempo atleticano foi muito mais tranquilo do que o 1º. O time voltou um pouco mais concentrado e decidido a resolver a partida. Passou a preencher melhor os espaços e a estar mais presente no campo do América, que passou a ter raras chances. Até os 15 minutos da etapa complementar, o jogo tinha virado praticamente um duelo de rachão ataque contra defesa, com o Galo perseguindo o gol e o América se condicionando apenas á se defender. Aos 19 minutos da etapa complementar, o 2º gol alvinegro saiu numa jogada bem trabalhada em profundidade por Robinho, encontrando Clayton, que deu um passe na linha de zagueiros e encontro Carlos César, que só escorou, aumentando o placar e praticamente sacramentando a vitória, que de certo ponto, era certa. O jogo, que já era fácil, passou a ser até moroso pelo nível de tranquilidade do Galo em campo. Aos 39, uma linda puxada de contragolpe, mais uma vez orquestrada pelo GÊNIO Robinho, que toca para Fábio Santos, que encontra Patric, que dá um passe lateral, achando Lucas Pratto, que ajeitou e fez uma bela batida, aumentando o placar e sacramentando a vitória: 3x0. 

A partir do 3º gol, a segurança tomou conta da pauta atleticana e a partida seguiu tranquila, sem sustos, até o apito final: grande vitória. Não só pelo placar, que por sinal, era esperado, mas pela atuação, com tudo aquilo que o torcedor espera: Um bom futebol e uma boa dose de concentração.



Nota positiva sobre hoje: O comportamento do torcedor, sempre exemplar, dessa vez foi de fundamental importância para a vitória de hoje, uma vez que apoiou os 94 minutos da partida. É esse o comportamento que se espera do Atleticano.

Nota negativa sobre hoje: O publico, que apesar de relativamente bom, poderia ser melhor. Pra essa reta final, seria de bom grado o torcedor deixar de lado sua vaidade e comparecer. O que pode vir ao final é grande e seu esforço será pequeno perto da gloria que lhe aguarda, atleticano.



Vamos ao melhor jogador da partida:

ROMULO OTERO - GALO      Fonte: Bruno Cantini / Atlético MG



Talvez tenha sido a melhor apresentação de Otero com a camisa do Galo até o momento. Talvez não tenha tido uma produção do nível que obteve contra o Coelho por muitas vezes atuar mais deslocado á linha de meias, exercendo a função de meia de organização. Plausível, pois quando chegou, era um mero e talentoso desconhecido, cujo qual só tínhamos mensuração do seu talento graças a "grande boca de urna" chamada Youtube, que elege e alça ao futebol craques de uma jogada só. Mas em campo, as palavras e imagens logo se tornaram a realidade, principalmente quando Otero passou a atuar aonde se sente mais a vontade, como um ponta, mais deslocado á direita, as vezes flutuando pelo setor ofensivo, fazendo corredor e recompondo com velocidade. É um jogador que agrega velocidade, qualidade no passe, na batida e principalmente, irreverência no drible. Pra mim, Otero é um jogador que encaixou de vez no setor ofensivo atleticano e é uma peça de fundamental importância pela fluidez que dá ao nosso time em campo. Parabéns, Otero.




Quem não foi bem:

Honestamente? Não consigo mensurar ninguém por aqui. De uma forma geral, todos tiveram boas atuações. Talvez um ou dois jogadores um pouco abaixo dos demais, como Clayton, mas nada que lhe imputasse a pecha de "bola murcha" da rodada.



Concluindo:

Como dizem os mais renomados pensadores, há diferentes formas de se interpretar um fato. Uma situação pode ter várias perspectivas. Há pessoas que enxergam o copo meio cheio, há quem enxergue o copo meio vazio, há até quem não veja água no copo. Essa é uma paráfrase interessante que nos leva á um paradoxo, como quase tudo na vida. Com o Galo, não é diferente, pois vivemos um eterno paradoxo de amor e ódio praticamente instantâneos e intensos. Uma hora estamos felizes, nos sentindo nas nuvens, no mais intenso sentimento de amor eterno e sincero ao alvinegro; outra hora, estamos de saco cheio, putos da vida, não queremos ouvir falar, ouvir dizer e nem ligar a TV em dia de programas esportivos. Eu tambem sou assim, meu caro irmão alvinegro, porém, sou cético em relação á muitas coisas. O futebol não foge dessa razão. Eu posso me encaixar na turma daqueles que enxergam o copo HOJE meio vazio. Afinal de contas, a matemática é cruel quando precisa ser. Essa vitória representou a retomada da confiança e nos deixou muito mais do que vivos. Não devemos jamais deixar de acreditar, pois ser atleticano e sofrer são sinônimos, quem escolheu viver do amor ao Galo tem que se sujeitar á isso. Foi assim que se fez o Clube Atlético Mineiro, ele se fez do coração, da luta, da vontade e da esperança até o ultimo segundo do cronômetro. É assim que devemos levar o Galo no coração. Ser Atleticano é fazer parte de uma religião. Eu, que sou ateu por convicção, levo o Galo como um sacramento, como uma liturgia, como um evangelho. Talvez seja isso que venha faltando ao torcedor atleticano nesse ano de 2016. Ainda há uma série de considerações que vou deixar pra fazer junto com meus companheiros de blog no final da temporada, mas levem esse pequeno texto como uma lição a ser aprendida. Nunca é tarde para se reaprender a amar alguém, alguma coisa. O futebol moderno é uma realidade, não há mais volta. Mas o torcedor é imutável. Guardem a ultima frase. 

Vamos ser simples e claros: 6% de chance. Elas podem virar 100%. Depende, primeiro, dos nossos heróis. Segundo, de nós, torcedores. Eu normalmente não sou otimista dessa forma, mas eu vou comprar essa briga como fiz em 2013. No final, no dia 25/07/2013, eu lavei minha alma. Eu quero fazer isso mais uma vez.

Próxima parada: Botafogo, no Rio de Janeiro, dia 16/10, no Estádio Raulino de Oliveira, as 17:00 (sim senhores, no horário de verão). Lembrando que esse jogo será transmitido pelo canal Première do Sportv e pela Rede Globo Minas. Prepare sua camisa e seu gogó, atleticano.




Diz ai, Gênio R7:

"Nós também acreditamos. Falta muita coisa pra acontecer no campeonato, temos que fazer nossa parte. Hoje conseguimos uma grande vitória, vamos ver o que acontece do outro lado. Se a gente continuar fazendo nossa parte, do outro lado eles podem tropeçar e a gente diminuir a distância (para os líderes). A gente sabe que no futebol tudo pode acontecer. Do mesmo jeito que o torcedor acredita, nós também acreditamos"


Scouts do Jogo: 


GALOVictor, Carlos César, Léo Silva, Erazo, Fábio Santos; Rafael Carioca (Yago), Junior Urso; Robinho (Patric), Clayton (Lucas Pratto), Otero; Fred.

Técnico: Marcelo Oliveira

AMÉRICA: Luiz Ricardo; Jonas, Éder Lima, Messias (Claudinei), Gilson; Leandro Guerreiro, Juninho, Ernandes, Tony (Danilo Barcelos); Osman, Nixon (Matheuzinho).
 
Técnico: Enderson Moreira

Gols: Fred, Carlos César, Lucas Pratto (GALO)

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