São Paulo Futebol Clube do século XXI em duas Eras

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As tuas glórias vem do passado... Assim diz o belo hino do São Paulo Futebol Clube. Fazendo alusão a um passado não muito distante de glórias em uma Era onde dominou o estado Paulista, a América, o Mundo e construiu o importantíssimo Centro de Formação de Atletas Presidente Laudo Natel, em Cotia. Com administrações exemplares sempre citadas e exaltadas pela mídia, contratações pontuais em clubes de menor expressão, a exemplo de a garimparem feitas no Goiás com as vindas de Josué, Grafite, Danilo e Fabão formando a base campeã dessa Era gloriosa. Uma camisa que já era pesadíssima e rica em história ficou ainda mais após ter alcançado mais uma estrela em seu escudo tão estrelado, com o ápice da conquista do Mundial de Clubes da FIFA em 2005. A ressaltar a grande administração do então advogado brasileiro, Marcelo Portugal Gouvêa, que presidiu o clube de 2002 a 2004 e de 2005 a 2006 e infelizmente veio a falecer aos setenta anos de idade em 2008.

A torcida nesse período histórico foi “mal” acostumada – um mal que todo torcedor gostaria de ter. Uma conquista além de gerar títulos acaba por criar ídolos e com o São Paulo não foi diferente, Rogério Ceni iniciava sua consagração como o maior ídolo do clube e de quebra apareceu Diego Lugano, símbolo da extrema e admirável raça uruguaia. A cada conquista o patamar do clube se elevava a níveis extremos, a ser taxado de clube exemplo em todo o Brasil. Não havia espaço para criticas a administração nesses anos, que talvez até existam, onde acabara ficando num segundo plano devido a tantas conquistas.


Depois dos nove primeiros anos do século, o ciclo de conquistas se fechou pelos lados do Morumbi – Exceto 2012 com a conquista da então inexpressiva Copa Sul-americana em cima do Tigre, da Argentina. O céu de nuvens negras começou a persistir no tricolor paulista após a disputa do título até a última rodada do Campeonato Brasileiro de 2009, contra o Flamengo que acabou se sagrando campeão. De 2010 a 2016 o gigante adormeceu nos cânticos do soberano que vem das arquibancadas. Encontramos um São Paulo oscilante em que todo ano entra como favorito e acaba por morrer na praia. Uma fase que parece algo permanente, reflexo da politica do clube que passa por um momento devastador onde tudo começou no mandato de Juvenal Juvêncio, passando o bastão para Carlos Miguel Aidar que foi o pior presidente da história do clube com escândalo de corrupção com direito a gravações de acusação de desviar dinheiro do clube, o que culminou com sua renuncia dias depois. Nesse período o clube quase desceu ao inferno no Campeonato Brasileiro de 2013 lutando contra o rebaixamento, onde contou com a volta do comandante, salvador, do ídolo e tricampeão brasileiro pelo clube Muricy Ramalho, durante a competição. Ídolos salvaram o clube.

Quando um torcedor olha a politica do clube de 2009 pra cá chega a lacrimejar sangue, as nuvens negras mais parecem um furacão, devastando todos os setores do clube, dos bastidores ao campo. Não bastasse essa vergonha para o torcedor, em campo uma coleção de vexames coroando a Era negativa pelos lados do Morumbi, como em eliminações na Copa do Brasil para clubes de menor expressão como Avaí em 2011, Coritiba em 2012, Bragantino em 2014, Juventude em 2016, Penapolense no Campeonato Paulista de 2014 e para fechar a derrota humilhante de 6 a 1 em 2015 para o Corinthians, no Campeonato Brasileiro.


O fim do Campeonato Brasileiro desse ano se aproxima e para o torcedor tricolor vemos uma reprise de 2013, só que dessa vez sem Rogério Ceni liderando no campo e sem Muricy ramalho liderando no banco. Politicamente vemos um show de horrores, nada condizente com a Era vitoriosa desse século. Dirigentes brincam de comandar um clube da grandeza do São Paulo e nada parece melhorar. O time segue brigando pelas posições inferiores do campeonato e a chance remota de rebaixamento ainda existe e assusta a diretoria e principalmente a torcida. Porém, seguimos com esperança de dias melhores quando olhamos a juventude do clube, mais precisamente as categorias de base, liderada pela habilidade de David Neres, raça de Rodrigo Caio e técnica de João Schmidt, todos virando realidade na equipe principal num momento tão turbulento. A base segue conseguindo títulos e resultados importantíssimos em cada categoria, podendo render frutos num futuro não tão distante – com um treinador com mentalidade nova que reconheça a base e ajude nessa transição. Resta saber se quem comanda e vive o clube politicamente deixará os jogadores e torcedores viverem apenas os holofotes no futebol. Nenhum mal perdura e assim há de ser com o São Paulo Futebol Clube, que em momento algum se apequenou, decepcionou muito sim, se apequenou jamais. Dias melhores estão por vir, a base está aí e o céu vai se abrir para continuar brilhando a constelação de estrela do maior campeão internacional do Brasil. O São Paulo atualmente é um gigante ferido e adormecido, que a qualquer momento pode despertar,

Tu és forte, tu és grande.

Dentre os grandes és o primeiro. 
Fotos reprodução: esportes.r7.com

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Durante meus vinte e tantos anos sigo achando meu pai um super-herói da vida real e acreditando que a única esperança do mundo são as crianças por elas terem a pureza de Deus.

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