Sonho 5 Estrelas #1: A viagem e o primeiro encontro com o Gigante

15:37:00

Nasci em 1993, numa cidadezinha do interior do, então novo, Estado do Tocantins chamada Gurupi. Família tradicional goiana, porque o Estado de Goiás naquela época havia se dividido recentemente (1988). Sem nenhuma influência mineira ou algum torcedor enraizado que influenciasse eu me encantei e me apeguei ao Cruzeiro Esporte Clube. Tive influências contrárias para torcer pros times do EIXO, principalmente Corinthians e Flamengo devido as raízes familiares. Todavia, enquanto pressionavam-me para torcer para estes times eu torcia ainda mais pelo Cruzeiro.

Minha infância foi marcada por desenhos de caneta nos braços, pernas e até mesmo em mesas escolares, cadernos, paredes, por onde eu andava deixava a marca das 5 estrelas, pois até então o lema em casa era "Se quiser camisa do Corinthians o papai dá, do Cruzeiro não" ou "Se quiser vamos na Gávea fazer sua identidade rubro negra e você tem tudo do Flamengo", e nisto preferia ficar sem camisa de time algum já que não me dariam do que eu tinha orgulho de dizer que era torcedora me contentava com os meus maus desenhos que me enchiam de orgulho. Coleguinhas de sala de aula viviam se gabando por ter outros em comum e eu era a "diferentona", adorava ser única, não ligava com as zoações e sabia defender meu time mesmo sem pouco contato, pois não se transmite muitos jogos para o Tocantins do Cruzeiro, o Brasil é formado pela influência da Rede Globo e esta monopoliza a formação de torcedores Corintianos e Flamenguistas. 

Cresci sem uma camisa do meu clube, mas isso nunca importou quanto a minha paixão e minha loucura de ser cruzeirense. Tive minha primeira camisa aos 15 anos com um combinado que fiz com um dos funcionários do meu pai que comprou a camisa em São Paulo e trouxe pra descontar no pagamento que meu pai fazia a ele. Meu pai era menos orgulhoso nessa época, deu aquela zoada básica e inconformado de que eu não torceria mesmo pro "Todo poderoso Timão" dele. Não era uma camisa original, já desbotou os números e o patrocinador, mas continua sendo a minha melhor camisa aquela que tem muita história para contar. 

Essa é uma parte da minha história com o Cruzeiro, para você entender o restante que irei explicar neste texto, recomendo que leia a história na íntegra no site da Pacto União Celeste, clicando aqui
19 de julho de 2016
Esse tweet publicado no meu Twitter me fez refletir e inspirar todas as pessoas que possuem sonhos. Havia perdido as esperanças de realizar este sonho e me conformado que poderiam levar ainda muitos anos... Mas, eu torço pra um clube que tem uma torcida diferenciada neste Brasil e em menos de um mês desta publicação um cara (Pablito) que eu sempre admirei no twitter entrou em contato comigo como quem não tinha nenhuma pretensão além de ser meu amigo, no mínimo meio estranho pra alguém que eu admirava e me sentia tão pequena perto. Me jogou em um grupo de torcedores que eu me sentia até perdida, mas honrada de estar ao lado. E foi esse pessoal que me encorajou a contar minha história às 23:36 do dia 6 de agosto de 2016. Postei e fui dormir. Uma noite de sábado comum. Acordei domingo com meu celular enlouquecido de mensagens de cruzeirenses sobre a repercussão da minha história. Não imaginava porque era algo simples pra mim, mas naquele dia minha vida já havia mudado e eu conheci um outro lado da minha torcida (que hoje pra mim é minha família). 

O grupo PACTO DE UNIÃO CELESTE quem viabilizou a minha ida a Belo Horizonte e preparou tudo para me receber, além de outros membros que me presentearam e fizeram parte deste dia especial.

Aos 22 anos e 9 meses estava com a passagem comprada, jogo marcado e uma galera me esperando pra me receber em Confins. A ficha não caia, nem mesmo caiu quando cheguei ao meu destino.

Deus prepara tudo, eu tive o reconhecimento do meu esforço por todos esses anos com todas as adversidades amar o Cruzeiro incondicionalmente e fazer tudo para estar perto mesmo há 1.400km de distância. Me sentia um peixe fora d'água, sentia estar longe de casa, mas eu buscava meios para estar perto da minha família celeste. Muita gente nem imagina que mesmo minha vida mudando e eu ganhando essa oportunidade eu sofri bastante e quase perdi a viagem. Foi tudo programado com um mês de antecedência e mesmo escondendo de muitos para nada dar errado, em algum momento deu exatamente quase tudo errado pra me fazer desistir não só do sonho, como da vida. E sabe os amigos, a família que tentavam me fazer desistir de ser cruzeirense? Eles me levaram na rodoviária e começaram a sonhar o meu sonho para me injetar o ânimo que havia perdido. Fui a viagem toda recebendo mensagens de apoio, preocupação e muita felicidade de pessoas que me amavam e queriam que eu voltasse a ser quem eu tinha perdido, todos sabiam que só o Cruzeiro devolveria ao meu coração a essência que eu tinha, porque ele quem me formou durante todos esses anos. 

A VIAGEM


Saí de Gurupi-TO às 20:00h do dia 16 de Setembro com destino à Brasília de ônibus. Cheguei por volta das 6:00h do dia 17, meu tio me apanhou na rodoviária, tomamos café, passei em uma farmácia e comprei uns remédios pra enjoo (sou péssima pra viajar). Fui para o aeroporto umas 8:00h e tinha que esperar o voo que sairia às 14:00. O medo de voar estava me dominando, calafrios, ansiedade, a ficha não caía. Nanda chegou para me acalmar e me por pra almoçar, nós divertimos uns 30 minutos até ela me deixar no portão de embarque. Já faziam 18 horas de viagem e ainda pegaria um voo de 55 minutos. O pessoal já estava me aguardando em Confins e eu ainda estática, apenas chorava quando recebia mensagens ou ligações dos amigos de Gurupi me encorajando e desejando coisas boas. Sim, chorei na ligação com meus pais no aeroporto na frente de todos. Explico o porquê: Meus pais eram resistentes quanto a minha loucura pelo Cruzeiro, todas as aulas que eu perdia por causa de jogos, a forma que eu não dava atenção a ninguém por causa de grupos do WhatsApp e etc. Naquela ocasião eu ouvi meu pai dizer "Vai realizar o seu sonho, o papai te ama, cuida de você" e minha mãe falar uns 15 minutos enquanto as lágrimas desciam para que eu esquecesse os problemas que estava passando e vivesse o sonho da minha vida sem que nada atrapalhasse, que eu conhecesse pessoas novas e aproveitasse cada segundo, via o entusiasmo dela para me ver renovada e feliz, chorei de felicidade por estar ouvindo dos meus pais algo que esperei a vida inteira.

CHEGADA A BH

Aeroporto de Confins (Rodrigo Genta, Yasmin (eu), Fábio Militão, Diogo Felipe)  Esplanada do Mineirão (Diogo Felipe, Rodrigo Genta, Yasmin (eu), Fábio Militão, Rafael Brandi).
(clique na foto acima para assistir ao vídeo)

Enfim, cheguei! Até a sala de desembarque o coração ia pulsando, não sabia quem iria encontrar ou o que fariam (me removeram do grupo pra combinar uma 'surpresa'). A melhor parte foi o abraço de carinho e aqueles olhos emocionados por eu estar ali depois de tantos dias de espera. Em meio a todos havia alguém muito importante e especial, Rafael Brandi. Filho do grande presidente do Cruzeiro Felício Brandi, conselheiro do clube, quanta honra! Para completar ele estava segurando várias sacolas da Maior de Minas com presentes especiais para mim, não acreditava. Aí veio mais uma surpresa: placa de embaixadora da torcida Cruzeirense no Tocantins. UFA! Eu ainda tava viva, parecia que eu estava sonhando... 

RAFAEL BRANDI 

Procurei palavras e adjetivos para te agradecer ou definir, mas não há nenhuma que se assemelha a esse homem de grande coração que és. Assim como seu pai foi para o Cruzeiro um grande homem e deixou seu legado na história gigante que hoje conhecemos e temos orgulho de sermos cruzeirenses, você é continuidade desse legado. Espero um dia te ver presidente do Cruzeiro e elevar-nos a um patamar que ainda falta (Mundial). Confio em sua capacidade, me espelho no seu amor pelo clube, na forma como você olha para o Mineirão e seus olhos refletem as grandes conquistas do passado e presente. Te agradeço imensamente pela honra e o prazer de ter me proporcionado um dia espetacular e todos os presentes que me deu. Guardarei e recordarei sempre desta data, 17/09/2016.

RODRIGO GENTA

Após a chegada ao aeroporto, seguimos para a esplanada do Mineirão, entre tantas brincadeiras e surpresas eu ainda me encontrava em choque sem saber o que era real ou sonho (apenas em minha cabeça). Eu tava ao lado de homens espetaculares que contribuem e vivem diariamente em prol do Cruzeiro, por aí já se imaginaria o quanto estava sendo um dia mágico. Chegamos à Toca III, começamos a andar pela esplanada, acho que todos estavam surpresos por eu ainda não ter me emocionado o suficiente, até brincaram "você é durona", quem dera, eles nem imaginavam quantas sensações se passavam por mim naquele momento e eu não conseguia ter reações para expô-las. Até que eu comecei a olhar pro Mineirão, comecei a ver que era real, sim eu realmente estava lá, era o meu sonho diante dos meus olhos e quando olhei pro lado você estava lá paizão, o homem que se prontificou a realizar este sonho, que sonhou comigo, que fez se tornar real... Ali era inevitável não chorar, a emoção, gratidão, a sensação de que eu estava em casa pulsava no coração. Aqui foi o abraço mais sincero e verdadeiro, as lágrimas que mostraram o meu amor ao Cruzeiro e de poder finalmente estar junto a minha família azul celeste....
Rodrigo Genta e Yasmin (eu) na esplanada do Mineirão (17/09/2016)

Ainda há muitos agradecimentos, muitas pessoas importantes que fizeram parte deste dia e dos demais que estive em BH, deixo aqui esse pequeno registro e breve estarei publicando cada detalhe que ainda falta dessa história que marcou a minha vida....


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