Dossiê Futsal Paranaense - Parte 1

18:04:00

O Futsal brasileiro está longe de viver uma boa fase. Seja dentro ou fora de quadra. A nível nacional, a situação é caótica. Mas hoje quero me ater ao futsal paranaense. Um estado que produz aos montes, jogadores que fazem sucesso nacional e internacional. O estado sempre foi considerado um polo forte no esporte. Mas que vive nos últimos tempos, com administrações tumultuadas, falta de dinheiro, e disparidade cada vez maior.

Houve um arbitral na cidade de Francisco Beltrão, realizado na última segunda-feira (18). Nele foram definidos tabela e formato da competição.

O sistema de disputa será o seguinte: Onze equipes se enfrentam na primeira fase, em partidas de ida e volta, com uma agremiação diferente folgando a cada rodada. Os oito melhores se classificam para as quartas de final. Haverá cruzamento olímpico ( 1º x 8º , 2º x 7º, 3º x 6º 4º x 5º), com semi finais e finais. O campeão do primeiro turno disputará a Liga Sul, e o campeão do segundo, vai representar o Paraná na Copa do Brasil de 2018. Já o campeão do Paranaense se classifica para a Taça Brasil de Clubes em 2018.

O presidente da FPFS, Jesuel Laureano de Souza, comentou sobre o regulamento:

“Foi uma escolha democrática, que contou com a participação de representantes dos 11 clubes. Agora estamos buscando uma premiação legal, com possibilidade de haver um carro zero quilômetro para o campeão. Vamos fazer de tudo para fortalecer cada vez mais o futsal paranaense”, disse o presidente da FPFS, que coordenou a reunião em Francisco Beltrão.

“Temos que agradecer ao Cresol/Marreco Futsal e ao município de Francisco Beltrão por nos receber tão bem neste arbitral. A equipe beltronense está de parabéns, pois completa seus dez anos de fundação em novembro de 2017”, concluiu Jesuel.

Após a reunião, ficou definida a primeira rodada, que acontece no dia 1º de abril , e não é mentira. Os confrontos são os seguintes:

Umuarama x Cresol/Marreco;

Foz Cataratas x Campo Mourão;

Cascavel x Copagril/Marechal;

Pato Futsal x São Lucas, de Paranavaí;

Toledo x CAD/Guarapuava;

folga: Caramuru/Castro.

Aí você pode pensar que a situação está sob controle. Mas na verdade a situação é delicada. No primeiro episódio da série, vamos abordar a questão financeira/má gestão de clubes.

O Cascavel Futsal, que chegou a disputar a Liga Nacional de Futsal em 2016, teve sua vaga extinta do torneio. Explicando rapidamente, para um clube disputar a Liga, ele precisa comprar em definitivo ou em  aluguel a vaga. O Cascavel havia comprado em definitivo uma vaga na Liga. A Franquia/Clube estava sólida no bloco intermediário do torneio até surgir um problema judicial, que acabou encerrando as ativividades da equipe. Pelo menos por enquanto, a equipe captaneada pelo treinador multicampeão estadual Nei Victor está vetada do torneio nacional. Mas o motivo da exclusão? Fundeavel (Fundação de Esportes Amador de Cascavel) que administrativa a equipe foi extinta por decisão da 4ª Vara da Fazenda Pública por causa de uma sentença que tramitava no Ministério Público desde 2012.
Sem CNJP a equipe perdeu a personalidade jurídica que estava inscrita e autorizada a participar dos jogos da Liga Nacional e Série Ouro. Foi desfiliada. Na Chave Ouro (Série A do Campeonato Paranaense) a equipe conseguiu resgatar um CNPJ que a Federação Paranaense aceitou, e a equipe pôde continuar no estadual. Mas sem dinheiro suficiente para readquirir ao menos o aluguel de uma franquia na Liga Nacional, a equipe se mantém apenas no regional. 
Tentará voltar para a Liga em 2018, mas hoje financeiramente é inviável, mesmo com doze patrocinadores.


Somente Cascavel sofre por isso? Não! O atual vice campeão paranaense praticamente faliu. Foi salvo pelo gongo, mas em partes. Um grupo se dispôs a reerguer o Keima Futsal/AFP/Ponta Grossa. A equipe agora se achama apenas AFP Futsal. A Associação de Futsal Ponta Grossense existe, mas sem o Keima (Empresa no ramo de roupas e calçados), a equipe perdeu seu patrocinador máster e viu uma debandada ocorrer. A equipe busca parceiros para a disputa da chave bronze de futsal, equivalente a terceira divisão. Houveram tentativas junto a federação, para à AFP disputar a primeira divisão em 2018, sem ter disputado quaisquer divisões em 2017. Não deu certo. Tentou-se também um convite da Federação, para a disputa da Chave Prata/Segunda Divisão no qual não houve êxito. E como no regulamento diz, que se uma equipe das séries ouro e prata, não comparecer no arbitral inicial da FPFS, a agremiação será rebaixada para a chave bronze automaticamente. A AFP não compareceu, e graças a falta de apoiadores, minguará de um glorioso vice campeonato estadual/aliado com tratativas para compra de franquia para disputar a LNF de 2017, para um agonizante rebaixamento para a terceirona.

A questão é: Havia grupo gestor de fato? Não havia um plano B, para o caso da saída do Keima? Mas por quê? Há resposta: Má gestão e falta de dinheiro. Uma pena, pois a equipe era muito boa.

Falando em falta de dinheiro, o rival da AFP - Caramuru/Castro - passa por problemas financeiros. Mas ao contrário da equipe da cidade de Ponta Grossa, seguirá na elite estadual. Como? Ninguém sabe ao certo. O que de fato se sabe é, que o elenco castrense custa algo em torno de R$40 mil por mês, somando comissão técnica e jogadores. Mas os patrocínios somados da equipe, arrecadavam apenas cerca de  R$27 mil/mês. A conta não fechava e os jogadores por muitas vezes, entravam para jogar com dois ou três meses de salários atrasados. Os empresários se viraram e zeraram as dívidas. Porém o receio de desistência era muito grande, e aos 45' do segundo tempo a equipe confirmou sua participação. Mas o grupo gestor sabe que se não conseguir maiores valores de patrocínios, terá que cortar em cerca de 40% sua folha salarial, e apostar em jogadores formado na cidade. Pois a situação é incerta, quanto a conclusão da participação da equipe atual sexta colocada, para a nova temporada

O Toledo Futsal também teve seus dois meses de atraso salarial, mas ao que tudo indica, além de ter resolvido a pendência financeira, a equipe conseguiu um grupo gestor que consiga arrecadar dinheiro suficiente, para manter a equipe em 2017.

Nas próximas semanas, abordarei sobre os casos que deram certo, e de que forma eles seguiram adiante. Mas fica aqui o alerta para a falta de apoio para o futsal, que no Paraná e em boa parte do Brasil, clama por ajuda. Uma pena!

Fotos: Reprodução







por: Leonardo Bueno

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