Pitacos avalizados, sobre futebol europeu

10:35:00

O melhor futebol do mundo, de fato não é o brasileiro. Por diversos fatores, que se enumerados forem, serão detalhados por vários e vários dias. Isso é resenha para outro dia. Pois a questão a ser tratada, é o futebol europeu. Iniciamos hoje, uma mini série em quatro posts, com dúvidas e curiosidades sobre o futebol 'Dazoropa'. Caso tenham sugestões, enviem-as em nossas redes sociais: Facebook: @Vai Que Tô Te Vendo, Twitter: @vaiquetotevendo e Instagram: @vqttvsports.

Gentilmente, o blogueiro especializado em futebol europeu no Uol - Rafael Reis, e o jornalista/comentarista dos canais Esporte Interativo - Vitor Sérgio Rodrigues, responderam algumas questões formuladas entre o pessoal do VQTTV. A seguir, vejam esse bate papo bacana, e que certamente é de agrado para vocês, caros leitores e leitoras.

VQTTV - Como os demais atletas, geralmente recepcionam os jogadores brasileiros?

Rafael Reis- Antigamente, existia muito preconceito com jogadores brasileiros. Lá havia a sensação de que, os brasileiros chegavam, e tomavam espaços que pertenciam aos jogadores locais. Mas a questão de nacionalismo está tão ultrapassada, que antigamente haviam seis ou sete estrangeiros numa média. Hoje em um clube, se encontram doze, treze ou mais jogadores de outras nacionalidades. No geral, os atletas estrangeiros são bem aceitos. Mas há uma 'coisinha' de que, se caso o atleta não tenha bom rendimento e dar resultado, haverá uma maior cobrança e consequentemente, uma maior pressão sobre o jogador. Bulgária, Romênia, Sérvia e países próximos podem existir rusgas do tipo. Mas em países como França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Espanha... aí não.

VQTTV - Jogadores Europeus fumam e bebem muito? E extrapolam às vezes isso, em países com clima mais gelado?

Rafael Reis - No Brasil se fuma muito pouco, em relação ao resto do mundo. Apesar que o Ronaldo 'Fenômemo' é fumante, e vários outros atletas de renome tinham vícios, como o hoje treinador do Real Madrid, Zinedine Zidane (fumava). Quanto a questão de beber, a dosagem é igual tanto para brasileiros, quanto europeus. A diferença é que na Europa, se bebe conhaque, whiskhy, entre outras coisas propícias para países de clima gelado sim.

VQTTV - A torcida acolhe de que maneira, os jogadores brasileiros em seus clubes?

Rafael Reis - Acolhem muito bem. Torcedores apoiam sempre, e apoiam ainda mais quem joga bem, independente da nacionalidade. Se não estiver bem, será cobrado. Tudo isso é questão do desempenho do jogador, dentro de campo.

VQTTV - A que se deve, tamanho domínio do Bayern de Münich nos últimos anos, no futebol alemão?

Rafael Reis - Para entender sobre esse domínio do Bayern, é preciso compreender um pouco mais sobre a história do clube. Até meados dos anos 70, a equipe de Munique não era a maior equipe do futebol alemão. Nürenberg e Schalkie 04 eram maiores e mais fortes e mais tradicionais que o Bayern. Pra se ter idéia, o Nüremberg era o maior clube da região da Baviera, e o Münich era a segunda equipe da região. A partir da década de 70, surgiu um tal de Franz Beckenbauer que fez bombar o clube, inclusive no aspecto financeiro. Outro segredo do clube é, que a legislação alemã prevê que os clubes de futebol, sejam formados por associações - sócios - como no Brasil, e não por empresas ou por uma pessoa física. Há algumas ressalvas, como a Volkswagen que gere o Wolfsburg, a Bayer que gere o Leverkusen, mas geralmente são associações. Porém o Bayern achou uma brecha na legislação, que prova que o controle assionário deve ser de associados, mas todo o clube não. E o restante/maioria do clube, é gerenciado por empresas grandes e de grande poder financeiro como: Audi, Adidas, T-Mobile. E com a grana injetada das empresas, o Bayern se tornou muito mais rico em relação aos demais clubes. A consequência disso foram títulos e mais títulos, mais torcedores, mais dinheiro e com tudo isso, mais sucesso. Dinheiro trouxe sucesso,e o sucesso trouxe dinheiro, fazendo com que em um ciclo vicioso transformasse o Bayern, numa equipe praticamente imbatível na Alemanha.

VQTTV - Bruno César parece ter reencontrado seu melhor futebol, atuando pelo Sporting-POR. Como se explica tamanha reviravolta?

Rafael Reis - O Sporting não é uma das equipes que mais acompanho, mas algumas coisas podem ser ditas. Primeiro, o Bruno César na época de Palmeiras, estava nitidamente fora de forma. Tanto que ele recebeu apelidos maldosos como, Bruno Cheddar. E isso mostrava que ele não estava bem fisicamente. Isso explica muito o por quê ele não estava bem. Hoje ele está bem melhor em seu estado físico. Segundo, o nível do Campeonato Português é muito ruim. Benfica, Porto e Sporting, teriam nível para brigar pelas primeiras posiçôes na série A do Brasileirão. Braga ficaria em Brasil, em um bloco intermediário. O restante das equipes, seriam e são de nível série B, do futebol brasileiro, ou campeonatos estaduais do nosso país. Fica mais fácil do jogador se destacar em meio a isso. E aqui no Brasil especificamente, Bruno era um clássico armador central. Já no Sporting, ele passou a jogar mais aberto pelo lado esquerdo do campo. Tanto que ele foi até aproveitado como lateral esquerdo. Por esses fatores, podemos compreender a evolução dele que saiu do Palmeiras.

VQTTV - A UEFA define os participantes de competições européias, atráves de um ranking por desempenho de países dentro de seus principais torneios (Champions League e Europa League). É justa a organização desse coeficiente, mesmo com variações inesperadas?

VSR - Sobre o coeficiente, acho justo de uma forma geral (embora para 2019 o tenham rasgado, com os 4 primeiros países tendo quatro times direto na fase de grupos). Só tem uma coisa que eu não gosto: que o desempenho na Europa League seja considerado para distribuir vagas na Liga dos Campeões. Acho que deveriam ser rankings separados. Cria distorções.

Novamente  agracemos a dupla Rafa e VSR, pelos esclarecimentos. Em breve, voltaremos com mais pitacos sobre futebol europeu.



Foto: (Reprodução/Paulo Jr - Vitor Sérgio Rodrigues à esquerda, e  Rafael Reis à direita)









Por: Leonardo Bueno

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