Ao finado futebol brasileiro e sua fábrica de craques.

13:54:00
Poderia dizer que sinto saudades da dupla fantástica de Romário e Edmundo, Muller e Rai, mas como se atualmente tudo que o futebol me oferece é Nenê e Luis Fabiano, Cueva e Gilberto. Vejamos, não é menosprezar os grandes nomes do atual futebol brasileiro, mas sim, fazer uma simplória analogia da diferença técnica discrepante que encontramos hoje no maior esporte do mundo. Antigamente, o Brasil era uma verdadeira fábrica de craques. Temido como seleção e ovacionado como país que mais detinha de times com uma qualidade inigualável, a nossa pátria amada ostentava partidas que mais pareciam um show de mágica; sinceramente, nosso último "mágico" foi Gabriel Jesus e em comparação com diversos outros atacantes que antes foram denominados como "mágicos" e "magos", é ainda bem limitado. 
Imagem: ameblo.jp/ Seleção de 82 comandada por Telê Santana e taxada como uma das melhores da história do Brasil.
Que fique claro que a intenção aqui não é criticar ou diminuir a qualidade técnica dos nomes que serão ou já foram citados, mas criar uma linha do tempo de comparação, sim, comparação. 

O que ainda martela nas cabeças de comentaristas que viram a máquina tricolor do Fluminense ou Palmeiras da era Parmalat, é a indagação: onde, em que momento, o futebol deixou de ser futebol? E a resposta é simples, quando começou a virar negócio. Hoje a alegria de empresários é aquele menino que esboça alguma habilidade com os pés e muito pouco importa o que o atleta quer, o que importa é o dinheiro no caixa no final das transações. Não é a toa que muitas estrelas juvenis explodem, brilham e vão embora tardiamente isso se o empresário não levar a diretoria do clube formador do atleta a fazer um contrato exagerado. O exemplo são muitos e o mais recente é o do garoto Felipe da base do Corinthians que foi julgado pelo próprio técnico da equipe alvinegra sub-17 Marcio Zanardi como incapaz para ser titular. Uma gravação mostra que, supostamente o pai de Marcio tentou subornar o pai de Felipe para garantir ao garoto a titularidade por 50 mil reais. As palavras do suposto pai de Marcio foram claras:
   "Precisa dar o dinheiro, senão não temos como prosseguir lá. Não é sacanagem o que estou falando, estou falando a verdade. Você precisa fazer uma forcinha para que as coisas caminhem direitinho, para que as coisas sejam boas. Não tem outra maneira de ser." 
Talvez essa possibilidade de "negócio" que foi percebida pelos empresários dentro das categorias de base, seja o principal motivo pelo qual o futebol brasileiro perdeu o seu antigo brilhantismo. E não só nas categorias de base, o dinheiro gira em torno dos pensamentos de, não só todo empresário mas muitas vezes dos próprios atletas. E quem não se lembra do desmanche no Corinthians em 2016 em função do assédio da China em cima de seus atletas? Olhem para o São Paulo de 2017, teve seu planejamento rasgado pela inúmera venda de jogadores. Estouram e vão para a Europa, fazem uma boa temporada e tchau, sem choro nem vela se vendem a um clube muitas vezes desconhecido. Dinheiro, dinheiro, dinheiro... Até que ponto ele é válido? Até que ponto ganhar caminhões de dinheiro é mais seduzente que criar nome dentro do futebol e ser lembrado como fenômeno? Ah, a soberba, o poder...

Por essa cadência de bons jogadores brasileiros os clubes tenham procurado cada vez mais jogadores na gringa, pagando muitas vezes um valor absurdo por jogadores medíocres por conta do desespero como é o caso do Borja no Palmeiras. Negociado por 38 milhões, o atacante veio com status de estrela pelo valor no qual foi comprado, todavia, não esboça metade do futebol que apresentou nas duas partidas da semifinal contra o São Paulo pela Libertadores. Okay, okay, o meio campo do Palmeiras não ajuda, eu sei, mas mais uma vez quem deveria articular esse meio campo não o faz e entramos de novo na mesmice da limitação. 

Até quando o futebol sera ceifado por ganância? Até quando os clubes acumularam dívidas atrasando os salários dos jogadores que por sua vez, demonstram insatisfação comprometendo o clube que defendem? A diretoria nada pode fazer contra essa corrupção uma vez que é conivente com a mesma em 99,9% dos casos; é como sofrer abuso policial e ligar para a polícia. 

Ah finado futebol brasileiro, torço pelo dia que comemoraremos a revelação de um novo Raí, Marcelinho Carioca, Edmundo, Romário e deixo que sua imaginação leitor, prossiga para lembrar de tantos nomes que marcaram nossos corações.

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