Futebol feminino tricolor: muitas alegrias

12:20:00

Resultado de imagem
São Paulo campeão paulista feminino sub-17. Fonte: site oficial do São Paulo


Pioneiro como é em sua história - é um dos responsáveis pela profissionalização do futebol masculino no Brasil, pela numeração na camisa dos jogadores entre outras coisas -, indiretamente é responsável pela implantação do futebol feminino no Brasil. Segundo o próprio historiador do clube, Michael Serra, relatos do comentarista esportivo Thomaz Mazzoni apontam a origem do futebol feminino no país para um amistoso envolvendo os times masculinos do São Paulo e do Flamengo no Pacaembu, com duas equipes femininas do Rio de Janeiro fazendo o jogo preliminar em 1940: o Brasileiro e o Cassino Realengo.

Mesmo diante do preconceito que freou e muito a disseminação da modalidade no país, a partir de 1981 não só o São Paulo, como também Guarani, América, entre outras equipes, começaram a montar equipes femininas e mesmo tendo poucos registros no São Paulo, consta a participação na Taça São Paulo de 1983, em que ficou com o 3º lugar: mesmo diante desse cenário desanimador no país, o futebol feminino no mundo só crescia . 



Jogadora do São Paulo recebendo premiação do título paulista sub-17 Fonte: Arquivo Histórico do SPFC

Diante disso, pensar em organizar Copa do Mundo e incluir a modalidade em uma Olimpíada seria consequência natural: o Brasil participou da 1ª edição das duas competições no futebol feminino - Copa do Mundo de 1991 e Olimpíadas-1996 - e a partir disso, CBF e FPF concluíram o "inevitável": não dava mais para ficar sem o futebol feminino no país e começaram a organizar campeonatos.


Resultado de imagem para team
Tricolor conquista o título do Paulistana-97 Fonte: Arquivo Histórico do SPFC

Em 1997, o São Paulo marcou impressionantes 199 GOLS, dois empates, duas derrotas e quatro títulos: Torneio de Campo Grande, Torneio da Primavera, Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro. Várias eram as destaques: a volante Formiga (que se aposentou ano passado da seleção brasileira com 6 Olimpíadas disputadas), a atacante Kátia Cilene, a meia Sissi, a zagueira Juliana Cabral, a goleira Didi, entre outras, treinadas por Zé Duarte - o mesmo que levou o Brasil ao até então inédito 4º lugar nas Olimpíadas de 96 -.

O time ainda foi vice-campeão paulista e vice brasileiro em 1998 e as duas únicas derrotas foram para a Portuguesa, que custaram os dois títulos: o time tricolor conquistou a Taça Eduardo José Farah em 1999, foi novamente campeão paulista naquele ano e dissolveu o time no ano 2000 - que naquela época não era um negócio rentável no país e ainda hoje encontram-se muitas dificuldades -, tentando sem sucesso voltar no ano seguinte: em 2005 e 2015 conseguiu e chegou a ser vice-campeão estadual, mas o time precisou ser novamente extinto - em 2015, inclusive, o time tricolor chegou a perder o patrocínio já nas fases decisivas do campeonato e mesmo sabendo que o futebol feminino seria extinto ao final da participação do time, chegou à final e de forma heroica, conquistou o vice-campeonato diante do São José - que era o campeão mundial de 2014 -.

Em iniciativa até certo ponto inédita na América do Sul, a CONMEBOL determinou de forma louvável que os times masculinos que se classificarem à Libertadores de 2019, terão obrigatoriamente que ter um time feminino inscrito em uma federação a ela vinculada - no caso tricolor, a CBF ou mesmo a Federação Paulista - e já como forma de se adiantar a isso, o São Paulo realizou "peneiras" - como são chamados os testes esportivos para jovens atletas, independente da modalidade - para o time sub-17: deu tão certo, que o time foi campeão paulista da categoria,  e Isa foi a artilheira tricolor com 6 gols marcados.

Rumo à vitória, São Paulo!









Compartilhe isto

Bacharel em Direito, acompanha futebol desde sempre e dá seus pitacos quando é e quando não é chamado. Ama o S.P.F.C. incondicionalmente e despreza os rivais, a menos que estejam em boa fase, nesse caso, os odeia.

Posts Relacionados