Entrevista com a jornalista Helen Anacleto

20:14:00

VQTTV Entrevista em mais uma edição estupenda. Desta feita, conversamos com uma dama - primeira a ser entrevistada -, é a competentíssima jornalista 'brasiguaia' Helen Anacleto, que gentilmente conversou conosco.

VQTTV - Helen  como você se descreveria?

HA - Tarefa ingrata, hein? Acho que me reconheço como uma pessoa muito feliz com o que faz. Aprendi desde cedo que nada cai do céu, que é preciso plantar muito pra colher. Tento levar essa máxima com o máximo bom-humor possível, com a consciência de que todo mundo tem um cantinho nesse mundo. Não é preciso passar por cima de ninguém. Tenho trabalhado bastante pra conseguir conquistar os sonhos de sempre.

VQTTV -  O que te levou a rumar sua carreira no jornalismo?

HA - Sempre gostei muito de literatura e redação, em geral. Mas o que realmente me levou ao Jornalismo foi o esporte. Sempre tive muita ligação com esporte. Joguei vôlei quando era adolescente e vivia disputando competições importantes com o time da minha cidade. Acompanho futebol desde que tinha 5 anos de idade e as lembranças mais legais que eu tenho da infância envolvem os meus quatro irmãos e a gente assistindo alguma partida de futebol. Como, infelizmente, eu era muito baixa pra jogar vôlei, acabei compreendendo que pra me manter perto do esporte eu teria que estar com uma carreira, digamos, alternativa. Foi então que surgiu com mais força o Jornalismo. Cheguei a tentar Direito no vestibular, mas reconheci que eu não ia ser feliz atuando na carreira jurídica. Consegui passar no vestibular e a cada ano de curso eu só tive cada vez mais certeza de que é esse o caminho que eu quero seguir pro resto da vida.

VQTTV - Como foi o início como jornalista?

HA - Não posso reclamar. Tive professores maravilhosas no meu começo de carreira. Comecei na Rádio banda B e conheci de perto os bastidores de uma das maiores rádios esportivas de Curitiba. Isso me abriu as portas e a cabeça pra tudo o que viria depois. O principal desafio era lidar com o nervosismo no ar, mas com tempo os desafios mudaram. Eles vieram desde o relacionamento com as fontes, até à maturidade para lidar com as críticas dos ouvintes e leitores. Mas nada disso foi em vão.

VQTTV - Um de seus lemas é: "Futebol me põe doente"... Isso vem desde quando?

HA - Vem de uma música composta pelo Lamartine babo, na década de 30, bem quando rádio estava vivendo seu auge. A música se chama As Cinco Estações do Ano e foi gravada pela Carmen Miranda. Mas resume muito bem a minha relação com o esporte. Se me falta, fico doente. Parece realmente que falta um pedaço da vida.

VQTTV - Procede que tu tens 'raízes' uruguaias?

Tenho sim. Com bastante orgulho. Morei no Uruguai em 2010, durante o intercâmbio que fiz pela Universidade Federal do Paraná. Foi uma das melhores experiências que tive na vida. Conheci pessoas maravilhosas, amigos que levo até hoje. Conheci lugares inacreditáveis. Vivenciei muito mais sobre o futebol sul-americano, que é apaixonante.

VQTTV - O Futebol Brasileiro por mais que queira avançar, ainda pena em muitos aspectos. Isso se deve única e exclusivamente a fatores políticos, e interesses de terceiros? Ou existem outros fatores?

HA - O primeiro desses fatores é a bagunça generalizada da CBF. A entidade está manchada por escândalos de corrupção e precisa se renovar urgente. A distribuição de recursos aos times também precisa ser mais justa. Do contrário, nós nunca vamos ter times considerados menores campeões do país. E sem dinheiro, os times não consegue revelar jogadores. Automaticamente, a gente não tem novos talentos para representar o país na seleção brasileira e isso vai se refletir nas próximas competições que Brasil disputar.

VQTTV - Como você analisa o atual momento do Futebol Brasileiro dentro das quatro linhas? Houve de fatos evoluções táticas? Ou foram. evoluções em pequenas partes?

HA - Eu acho brasil avançou muito pouco, se a gente comparar a evolução no estilo de jogo de seleções como a Espanha e Alemanha, por exemplo. Antes, a marca da seleção brasileira era pautada nos talentos individuais. Hoje, infelizmente, essa marca está restrita apenas à atuação do Neymar, o que é muito pouco.

VQTTV - Podemos considerar hoje a Confederação Brasileira de Futebol, um câncer ao futebol nacional? Se sim, por quê?

Eu acredito que a CBF, como está hoje, não serve pra absolutamente nada quando o assunto é evolução do futebol brasileiro. Pelo contrário. A entidade tem servido mas para se legitimar do que para fazer avançar o esporte no país. Enquanto todos os casos de corrupção não forem solucionados e os responsáveis exemplarmente punidos, dificilmente a CBF vai ser respeitada como entidade máxima do futebol no Brasil.

VQTTV - A Fórmula dos campeonatos estaduais está cada vez mais ultrapassada, e o implemento da Primeira Liga é um embrião que pode ser uma válvula de escape diante de Campeonatos de nível técnico duvidoso e que não atraem muito torcedores. Em meio a isso, sabemos que a Copa do Nordeste é altamente rentável e de nível técnico interessante. Mas as grand questões que ficam são: Qual o motivo para tamanho sucesso da 'Lampions League'? E se de fato os torneios regionais são a real saída para uma evolução do nosso futebol?

HA - Eu acho que os campeonatos estaduais não atraem mais os torcedores como antes. Isso é um fato facilmente comprovado se a gente olhar as bilheterias dos estaduais. Nesse sentido, eu acho que os campeonatos regionais podem ser a saída para os times grandes e pra que as torcidas voltem aos estádios. Mas, a gente não pode deixar de pensar nos times pequenos. Muitas vezes, eles só têm os estaduais em todo o calendário. Então, é preciso pensar em um campeonato paralelo pra eles e em outro grande como os regionais para os times maiores. A Lampions League é um exemplo disso. A torcida do Nordeste é fascinada por futebol e já conhecida por lotar os estádios. Isso, independente do campeonato ou da situação dos times na competição. Eles são um grande exemplo dessa nova fase do país.

VQTTV - Mudando um pouco de assunto, como você vê o papel da mulher no jornalismo? É respeito igualitário ao sexo masculino, ou ainda há certas rusgas?

HA - A mulher ainda sofre muito preconceito no jornalismo esportivo. Principalmente entre os companheiros de trabalho. É claro que isso diminui a cada dia, na medida em que várias mulheres passam a ocupar lugares de destaque no noticiário esportivo. No entanto, nós ainda não temos muitas representantes dos cargos de chefia, o que torna as coisas sempre um pouco mais difíceis. É difícil generalizar, mas a realidade é que a mulher ainda precisa provar muitas coisas pra poder ser reconhecida como uma boa jornalista esportiva. Ou seja, se para um homem o caminho é sempre um pouco mais fácil pra mulher é permeado de desafios que vão além do jornalismo e passam até pela comprovação do próprio interesse no futebol ou no esporte em geral. É como se mulher não pudesse se interessar por esses assuntos. Mas nem todos são lamentos. Há muitas pessoas que conseguem valorizar a visão feminina do futebol como uma visão normal, que é como a coisa tem que funcionar, mesmo.

VQTTV - Uma mensagem aos amigos leitores do site Vai Que Tô Te Vendo.

HA - Eu quero agradecer a lembrança de vocês e o carinho de sempre. Quero que vocês também continuem fazendo uma cobertura especial do futebol, porque todos nós temos uma missão muito importante pra levar pro torcedor tudo que acontece dentro e fora das quatro linhas. É um prazer enorme falar com vocês e fico à disposição sempre.





Foto: Vinicius do Prado







por: Leonardo Bueno

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