Automobilismo Brasil entrevista Luciano Zangirolami (Fórmula Inter) - Parte 1

19:22:00
23/01/2018

Pra não perder o ritmo, nós do Automobilismo Brasil estaremos publicando mais uma entrevista, dessa vez com o piloto representante da cidade de Olímpia, Luciano Zangirolami.


Imagem: Redes Sociais do piloto

Ainda bem jovem, cresceu vendo seu irmão Ivo seguindo a carreira de piloto, até que um dia ele percebeu que era aquilo que queria pra sua vida.
Foi destaque logo em seu primeiro ano (1990), quando havia feito uma aposta com seu pai. Esse último prometeu bancar o filho no kart, desde que ele fosse campeão brasileiro em sua primeira temporada. Dito e feito, Luciano conquistou o título nacional com apenas 8 corridas (6 pelo Campeonato Paulista e 2 pelo Brasileiro) no currículo, 3 delas subindo ao topo do pódio; sendo também considerado o melhor piloto de kart do Brasil pela Gazeta Esportiva. No ano seguinte (1991) foi bicampeão brasileiro, partindo então para tentar a sorte no exterior.


Luciano no Campeonato Brasileiro de Kart em 1990, kart #33
Imagem: Acervo do piloto

Luciano #33 e Hélio Castroneves #34, Campeonato Brasileiro de Kart - 1991
Imagem: Acervo do piloto

Rumo a Europa para disputar a Fórmula Renault Inglesa e com a verba curta, fez alguns testes pela equipe Fortec Motorsport. Conseguiu superar o até então campeão mundial de kart, Jan Magnussen e garantir a vaga. Porém, devido ao baixo aporte financeiro, só conseguia fazer o treino classificatório e a corrida em cada etapa, dificultando sua evolução no novo carro.


Luciano Zangirolami - Fórmula Renault Inglesa, Fortec Motorsport
Imagem: Acervo do piloto


Luciano na Fórmula Renault Inglesa
Imagem: Acervo do piloto

Ao fim do ano, foi o quarto colocado na classificação geral, mostrando que mesmo com pouco tempo de pista em relação aos seus adversários, conseguiu mostrar um bom desempenho.
De volta ao Brasil (1993) pela falta de patrocínios para continuar na Europa, Luciano participou da Fórmula Fiat, onde o campeão teria a chance de disputar a Fórmula 3 Italiana durante a temporada seguinte. Ao fim daquele ano, conseguiu conquistar o vice-campeonato com 3 vitórias, não sendo o suficiente para voltar ao exterior.

Mesmo com todas essas dificuldades, o jovem olimpiense partiu então para o automobilismo norte americano em 1994/95, competindo na Fórmula Renault de lá. Conseguiu conquistar o título Intercontinental (E.U.A./México) da categoria com 5 vitórias, uma delas sendo na inauguração do GP de Las Vegas.


Fórmula Renault USA/MEX
Imagem: Acervo do piloto

Com esse bom desempenho nos Estados Unidos, Zangirolami foi convidado para participar do Campeonato Alemão de Fórmula Opel na temporada seguinte (1996). Subindo ao topo do pódio apenas uma vez, se consagrou vice-campeão, fazendo com que a E.F.D.A (European Formula Drivers Association) o considerasse o 3o melhor piloto de fórmula da continente europeu.


Fórmula Opel Alemã - P2 em Nurburgring
Imagem: Acervo do piloto

Entre idas e vindas nesses dois anos (1996/97), chegou a correr também uma temporada da Fórmula Ford 2000, retornando aos E.U.A. e terminando o campeonato na quarta colocação da classificação geral, vencendo uma etapa.


Fórmula Ford 2000, Circuito de Charlotte, Carolina do Norte (EUA)
Imagem: Acervo do piloto

No ano de 1997, foi o representante da América do Sul na Copa das Nações (Fórmula Opel) na Inglaterra, tendo como palco o circuito histórico de Donington Park. 


Fórmula Opel, Copa das Nações - 1997
Imagem: Acervo do piloto

Automobilismo Brasil: No começo de sua carreira no kart, qual era o piloto que mais te dava trabalho, o maior rival?

Luciano: No primeiro ano, o cara que me deu mais trabalho foi o Ricardo Rosset. Ali a gente disputou palmo a palmo; campeonato paulista disputamos ele inteiro. Nesse primeiro ano o Ananias Jr. deu bastante trabalho, acabou sendo vice-campeão.
No segundo ano já teve "Helinho" (Hélio Castroneves), teve "Tony" (Tony Kanaan); acabei ganhando. Tinha o "Tarso" (Tarso Marques), o Bruno Junqueira, Marcos Campos que veio a falecer, mas era um baita rival também.


Luciano #33, 1991
Imagem: Acervo do piloto

Automobilismo Brasil: Como foi sua adaptação do kart para a Fórmula Renault?

Luciano: Acho que essa foi a pior fase, porque saí do kart e tava totalmente sem grana. Fui fazer um teste pra ver se conseguia essa vaga na Fortec, equipe inglesa, só que ainda não tinha patrocínio. Quando fui fazer o teste, consegui a vaga porque fui mais rápido que o Jan Magnussen, ele que já era bicampeão mundial de kart, eu era campeão brasileiro. No dia, acabei tomando a vaga dele porque fui mais rápido. Pro ano seguinte eu não tinha o orçamento total que era de 150 mil libras pra disputar a temporada, acabei arrumando só 70 mil, então eu disputei o campeonato sem fazer teste, sem treinar, ia direto pra classificação e depois corrida.


Fórmula Renault Inglesa - Fortec Motorsport
Imagem: Acervo do piloto


Automobilismo Brasil: Qual foi a principal dificuldade que encontrou ao chegar na Europa ainda no início de sua carreira?

Luciano: Sempre a dificuldade da cultura, a questão cultural pesa muito. Fui muito jovem pra lá. Eu já sabia falar a língua, mas eu não queria parar meus estudos. Eu, além de correr, fiz engenharia mecânica onde eu morava, que era na Inglaterra em Oxford. Então, leva as duas coisas simultaneamente, ser um jovem lá, vindo do interior de São Paulo, um "pé vermelho" vamos dizer assim. Eu tive um pouco de dificuldade no primeiro, segundo ano, mas depois, a partir daí foi super tranquilo; mas o que pegou mais foi essa questão cultural mesmo, essa diferença cultural. 

Da esquerda pra direita: Felippe Generali, Ivo Zangirolami, Luciano Zangirolami e Oswaldo Negri Jr.
Imagem: Acervo do piloto

Automobilismo Brasil: No Brasil, como foi disputar a Fórmula Fiat? 

Luciano: Voltei da Inglaterra porque tinha acabado a grana, ai fui tentar a sorte pra ver se conseguia ser campeão e ganhar uma temporada de Fórmula 3. Não consegui o prêmio e acabei voltando pros E.U.A/México.

Automobilismo Brasil: Na Fórmula Renault Intercontinental, qual foi a sensação de ver a bandeira quadriculada e saber que foi o primeiro a vencer na história do GP de Las Vegas?

Luciano: Foi f#@*, porque depois desse ano ter que voltar pro Brasil com sonho de competir lá fora, buscar a Fórmula 1 e a Fórmula Indy, deu uma reacendida, tanto que ai eu ganhei essa corrida, depois no ano seguinte consegui o contrato pra guiar profissionalmente, ganhando salário e sendo contratado pela equipe. No próximo ano fui campeão, mas acabou sendo meu grande desvio de carreira. Ao invés de continuar nos Estados Unidos onde tinha sido campeão, que eu já tava com um caminho sendo feito, surgiu a oportunidade de seguir no caminho da Fórmula 1 e voltar pra Europa. O Will Weber que era empresário do Schumacher, veio buscar pilotos aqui no Brasil pra equipe deles no Campeonato Alemão de Fórmula Opel. Consegui ganhar corridas mas no final do ano não tinha a verba pra subir pra Fórmula 3 Alemã. Tive que voltar pros Estados Unidos, onde montei a equipe junto com meu engenheiro. Foi muito legal, conquistei vitórias mas acabou ficando por ai mesmo, quando em 98 voltei pro Brasil pra disputar a Stock Car.


Vencedor do GP de Las Vegas em 1995 - Fórmula Renault Intercontinental
Imagem: Acervo do piloto

Automobilismo Brasil: Pra você, qual foi o melhor momento da sua carreira até hoje?

Luciano: Acho que o melhor momento da minha carreira foi quando eu decidi correr. Foi ali no comecinho quando ganhei a aposta com meu pai, ele me perguntou: 
— Você quer seguir essa carreira mesmo ?
— É essa que eu quero seguir.
— Tá bom, eu te banco no kart, só que você tem que ser campeão brasileiro de kart na sua primeira temporada.
Dito e feito, a partir daí ele teve que bancar minha carreira no kart, depois ele não conseguiu, mas esse foi o momento que eu considero muito importante porque foi o momento que eu conquistei esse desejo de pilotar.

Automobilismo Brasil: Pra aqueles que não sabem, porque o apelido de cigano?

Luciano: Cigano porque chegou uma época da minha vida que eu aceitava correr em tudo quanto era lugar, então eu corria na Europa, fui pro México, fui para os Estados Unidos, aí eu fui pra Ásia, corri em Macau, fui testar pneu no Japão. Aí quando eu voltei pro Brasil, depois de 13, 14 anos, um jornalista brasileiro me apelidou de Cigano por conta disso, eu não parava em lugar nenhum.

Cigano Voador, mascote do piloto olimpiense


Fique ligado através das redes sociais do piloto e na nossa página Automobilismo Brasil, em breve publicaremos a segunda parte da entrevista.





Por Vinicius de Oliveira dos Santos (Automobilismo Brasil) e Luciano Zangirolami (Fórmula Inter)













Compartilhe isto

Posts Relacionados