VQTTV Entrevista - Joel Mendes Jr. (Parte 2)

19:10:00

Dando sequêcia ao bate papo com Joel Mendes Jr., vamos abordar mais detalhes técnicos sobre os truckões - hoje na Copa Truck, além de memórias e histórias do mundo motor.

VQTTV - Como surgiu a equipe Lührs Motorsport? E a oportunidade de competir nela?

JOEL - A Lührs Motorsport surgiu como uma oportunidade de mercado, diante de uma crise que vivia a Fórmula Truck e sabendo que uma nova categoria surgiria. A pessoa que comprou a equipe (Luiz Renato Lührs), achou interessante me colocar como colocar como piloto. Sou grato com isso, porque eu iria ficar sem equipe, e evitou com que eu ficasse 'desempregado' (risos). É uma equipe nova, preocupada com bons ideais, que se preocupa muito os patrocinadores, e que passou por um ano de aprendizado. Mecânicos com pouca experiência em competições, baixo orçamento para contratar engenheiros..., mas num todo, é uma oportunidade de negócio.

VQTTV - Atualmente, você corre com um Scania. Mas você já guiou outras marcas de caminhão (Ford e Mercedes-Benz). Quais as características de cada um, numa forma simples de ser traduzida?

JOEL - O Ford é muito bom de curva, mas é ruim de reta. Caminhão de nove litros, que requer bom posicionamento e frear pra lá do Deus me livre.

JOEL - O Mercedes eu guiei em apenas duas corridas. Mas percebi que é um caminhão que freia bem, têm um bom torque de baixa rotação, bom contorno e saída de curva, freia bem e possui um motor bom.

JOEL - Já o Scania, é um menino malvado. Um pouco difícil de guiar. Ele não aponta na curva, sai de frente e você fica meio de lado com ele. Porém, ele é muito forte de reta. O motor dele é muito bom, chegando ao ponto de ficar aliviado ao entrar na reta com ele, tamanha potência que existe. Ele sempre foi bom de reta, e era muito melhor em anos anteriores. Pois ele tinha geometria variável, era bi-turbo, e ganhava velocidade e potência em alta rotação. Exemplo disso, foi quando o Roberval Andrade conquistou um título, ele se mostrou imparável na reta e chegou a alcançar em velocidade final, 240km/h.

VQTTV - Sobre sua carreira em um todo e desempenho nos caminhões, você os julga como satisfatórios?

JOEL - Creio que ela é satisfatória e longa. Piloto desde os 4 anos de idade, e tenho 28 anos hoje. Quase 25 anos envolvido com o automobilismo, tendo 32 vitórias e 34 poles. Tudo bem que eu parei de competir por quase sete anos, para estudar, mas ela é muito boa. Já sobre a tragetória nos caminhões, eu também a considero como boa até aqui. Ela surgiu em uma oportunidade de mercado, pela Fórmula Truck. Pude mostrar o quanto posso ser rápido, principalmente em resultados de treino. Já que meu primeiro companheiro de equipe foi o Djalma Fogaça, que é um piloto muito experiente. O Fabinho (Fábio Fogaça) quando era meu engenheiro/chefe assim como o Djalma, me ajudou muito. E mesmo em um ano com pouca grana e muitas quebras, foi um bom desempenho. Em 2016 estava indo ao pódio em Campo Grande, e tive uma quebra. Em Londrina e Curitiba fui oitavo, e num geral pude mostrar velocidade.

JOEL - No segundo ano equipe e caminhão novo. Começamos o ano bem, nos classificando em quinto. Mas tive uma falha elétrica que me tirou da etapa, quando estava em quarto lugar. Foi um ano de quebras e falhas, com grana curta para desenvolvivento, mas com a expectativa e torcida para que o  ano que vem será bem melhor.

VQTTV - O que você costuma a fazer quando não está competindo?

JOEL - Eu corro todos os dias, ao menos 8km. Vou duas vezes por semana em uma preparadora física para seguir mantendo a forma. Às vezes vou uma vez por semana, em função da minha outra formação. Eu tenho uma clínica dentária, tenho uma responsabilidade em um hospital, sou sócio de uma empresa do meu irmão (Soccer Brasil - empresa de luvas para goleiros), tenho um escritório para captação de patrocínios, e sempre que posso eu estou indo na oficina da equipe conversando com o pessoal por lá, sempre me envolvendo com eles.

VQTTV - Você gosta de simuladores de corridas?

JOEL - Gosto de simuladores sim. Joguei uma vez, um final de semana inteiro na casa do meu cunhado, mas não pude levar para casa. São importantes para você conhecer mais rapidamente pista e carros que você não está acostumado a guiar.

VQTTV - Você tem lembranças especiais do automobilismo?

JOEL - Tenho duas em especial. Uma é quando fui correr num fórmula em São Paulo. Chovia muito forte, a ponto de dois pilotos não correrem por receio do volume de água intenso na chuva. Eu tinha um carro ruim, mas pude pegar um vácuo bom e largar em 11º. Antes da largada, o chefe de mecânicos havia se reunido com os 4 pilotos da equipe, para definirem uma calibragem inicial, a qual poderia ser trocada antes da largada. Fiz a volta de instalaçâo, e resolvi baixar a calibragem de 27 para 22. Meu chefe não gostou e contra a vontade dele fiz isso. Larguei, e em três voltas era o primeiro. Acabei chegando em segundo, pois no final, mesmo dando uma espremida no carro que vinha atrás, eu não pude contê-lo e acabei tendo que me contentar com a P2.

JOEL - A segunda, foi na minha quarta prova em um caminhão em Londrina. Eu tive problemas de temperatura na terceira volta. Com isso, comecei a andar nas decidas do traçado de Londrina, na banguela. E ainda consegui algumas ultrapassagens. Terminei em 9º, e fui pra casa. Na semana seguinte, meu telefone não parou de tocar, e eu recebi diversas mensagens de amigos e fãs, porque o meu chefe divulgou o vídeo com minhas ultrapassagens pelo lado de forma do traçado com o caminhão em ponto morto, na descida. Tanto que meu chefe disse que foi a primeira vez no mundo, que ele viu ultrapassagens por fora, e em ponto morto. (risos)

VQTTV - E sobre a Copa Truck? O que você achou do primeiro ano da categoria? E o futuro dela?

JOEL - É como o Carlos Col (promotor da categoria) nos fala. Imagine que a gente saiu da UTI e fomos para o quarto. As montadoraa voltaram em sua maioria, a apoiarem as equipes. Ano que vem teremos um grid maior, com regulamento que terá caminhões mais resistentes, mais etapas, e um pacote de televisâo maior. Vejo a categoria com potencial para ser a maior do continente. É a Fórmula 1 dos caminhões. Envolvem disputa entre montadoras e desenvolvimento dos caminhões.







Foto: Rodrigo Ruiz








por: Leonardo Bueno

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